Estado angolano "vai atacar" com missil terra a terra
O ministro do Interior, Eugénio Laborinho, a par do Comandante Geral da Polícia Nacional, Paulo de Almeida, saudaram a forma como agentes da PNA ripostaram a uma suposta investida de membros do Protectorado Lunda Tchokwe numa das esquadras de Cafunfo, na Lunda Norte, no passado sábado, 30, que teve, de acordo com o governo, um saldo de seis mortos, cinco feridos e 16 detidos.
Eugénio Laborinho, que falava em conferência de imprensa explicou que cerca de 300 pessoas, divididas em três grupos, incluindo estrangeiros, atacaram a esquadra da polícia, às 04horas, munidos de “armas de guerra, objectos contundentes, meios artesanais e instrumentos cortantes, usando indumentária de rituais tradicionais e supersticiosos”, causado ferimentos a dois agentes da polícia e das forças armadas.
“Não é possível estar num posto a fazer a guarnição e aparecer um grupo armado e atacar o posto. Eu sou o garante da ordem, o que é que vou fazer? Tenho que responder. Se estão a atirar contra mim, com catanas e armas, a resposta é igual e a proporção diferente”, disse Eugénio Laborinho.
De acordo com o responsável do Ministério do Interior, “não havia outra hipótese se não manter a segurança pública e a ordem no território. A autoridade do Estado tem que ser mantida a todo o custo. Nós apelamos mais uma vez que entendam, compreendam, que a atitude de resposta da polícia foi de acordo à situação surgida no momento”.
De acordo com o ministro, “o grupo de rebeldes não está autorizado por lei a fazer qualquer manifestação, já tínhamos noção que este movimento que queriam fazer ia dar uma situação fora do normal, uma vez que eles não tinham sido autorizados”, disse.
Segundo Laborinho, os manifestantes pretendiam criar instabilidade social na região.
Não há diálogo com essa gente
Eugénio Laborinho disse que não existe protectorados em Angola. “Isso é uma farsa e lamentamos os seus seguidores, o Protectorado Lunda Tchokwe não existe. As pessoas dizem não havia necessidade disso, pronto, os polícias eram todos mortos, hasteavam a bandeira do Protectorado Lunda que não existe, que é uma farsa autêntica, iam pedir a independência do sector de Cafunfo e impávidos e serenos o Governo a ver. Não é possível, aqui não, em Angola não vai dar, as forças da ordem não vão dar essa possibilidade a ninguém”, avisou, acrescentando que, o Executivo de João Lourenço não vai vamos permitir “que o nosso país seja desestabilizado por interferências internas ou externas, não vamos permitir isso”, salientou o ministro, sublinhando que não há diálogo “com essa gente”.
Na defesa da soberania de um Estado não pode haver proporcionalidade, como defendem os juristas – Paulo de Almeida
“Isso é muito bom na teoria jurídica, nós aprendemos isso no Direito. O Estado não tem proporcionalidade, você quando está a atacar a unidade, o Estado, o símbolo, está a atacar o povo”, disse Paulo de Almeida, alertando que aqueles que tentarem invadir as esquadras ou qualquer outra instituição para tomada de poder, vão ter resposta pronta, eficiente e desproporcional da Polícia Nacional.
“Você está a atacar o Estado angolano com faca, ele responde-te com pistola, se você estiver a atacar com pistola ele responde com AKM, se você estiver a atacar com AKM, ele responde com bazuca, se você estiver a atacar com bazuca, ele responde com míssil, seja terra a terra, terra-mar ou ainda que for um intercontinental, vai dar a volta depois vai atacar”.
De acordo com o comandante-geral, o que aconteceu no sábado, 30, “foram elementos que foram atacar a nossa unidade, às quatro horas da manhã. Não foram fazer uma participação de uma ocorrência, não foram a um banco de urgência, que são as unidades que têm piquete para atendimento ao público. Foram com catanas, armas, meios contundentes, feiticeiros, para atacar a unidade”, disse.
“A acção da polícia foi de legítima defesa e foi assim que houve essas mortes, sabemos que o lado negativo de Angola gosta de empolar as coisas, estão a dizer 15, 16… Até aqui o que nós temos conhecimento e contamos foram seis mortos. Quatro na altura da acção e depois dois que vieram a falecer pela gravidade dos ferimentos. Se houver mais é da ocorrência do que se passou. Lamentamos, porque se eles não fossem atacar, se não tivessem esse comportamento agressivo, não teriam nada disso”, frisou.
Não há nenhum inquérito
De acordo com o chefe da Polícia Nacional, não há nenhum inquérito a decorrer por causa dos ‘confrontos’ em Cafunfu.
“Vou inquirir o quê? Eu não fui lá para fazer inquérito, fui lá para constatar a situação que ocorreu. Há um processo-crime que está a correr os seus trâmites legais, é aí e ponto final, não há inquérito. Se algumas organizações querem fazer isso já é um outro assunto, connosco não há inquérito, fique bem claro”, afirmou.
O presidente do Movimento do Protectorado Lunda Tchokwe, Zeca Mutchima, já foi indiciado pela justiça, anunciou o ministro do Interior, Eugénio Laborinho
Segundo o ministro, o presidente do Movimento do Protectorado Lunda Tchokwe, José Mateus Zecamutchima, que luta pela autonomia daquela zona, mobilizou e tem mobilizado pessoas para desestabilizar a região leste, por isso foi indiciado, porque as pessoas envolvidas no processo-crime aberto, na sequência do incidente, já o acusaram “e a justiça vai tratar dele”.
“Ele vai justificar por que razão insiste em criar situações de embaraço na região leste, nomeadamente na província da Lunda Norte, quais são os objectivos, quem está por detrás disso e o que é que lhe vai na alma, para se justificar”, referiu.











