Executivo promove e despromove: Zecamutchima de activista a rebelde
O presidente do Movimento do Protectorado Lunda Tchokwe, Zeca Mutchima, tido, pelo Executivo, como activista ao longo dos últimos 12 anos, acabou preso, esta terça-feira, como rebelde e, portanto, criminoso para enterrar.
Por: Olímpio Carlos
De acordo com uma fonte do Na Mira do Crime, em cumprimento de um Mandado de detenção da PGR/Lunda Norte, foi detido o cidadão identificado por José Domingos Mateus, também conhecido por Zé Camuchima, arguido no processo-crime n° 111/2021, nos crimes de Rebelião e Associação de malfeitores, cujos trâmites correm por competência territorial na província da Lunda-norte, onde será ouvido em torno da instrução preparatória do referido processo-crime.
A detenção do ainda activista ocorre depois deste ter resistido aos chamamentos das autoridades policiais, que exigiam que ele se apresentasse, depois dos acontecimentos de 30 de Janeiro, em Cafunfo.
A mesma fonte revelou que Zeca tinha sido chamado apenas para depor, mas, chegado à esquadra, foi preso. "Ele está bem e decidido a enfrentar a justiça, porque considera—se inocente", diz a fonte.
Está a se falar de um homem que dirigiu, durante 12 anos, o Movimento do Protectorado Luanda Tchokwe, que reivindicava, no essencial, melhores condições de vida.
As sucessivas manifestações sempre tiveram a chancela tanto do Executivo de José Eduardo dos Santos como do actual presidente.
Tanto no passado como agora, houve perseguições e detenções, sem que os actos que praticavam significassem rebelião.
OPOSIÇÃO ADMITE PERÍCIA NA INVENÇÃO DOS FACTOS
Nesta terça-feira, 9 de Fevereiro, coincidentemente no mesmo dia em que Zeca Mutchima foi detido, as principais forças da oposição, nomeadamente a UNITA, CASA—CE e PRS realizaram uma conferência de imprensa em que disseram terem concluído que não houve nenhuma tentativa de assaltar a esquadra. "É uma mentira habilmente preparada", sublinham.
Segundo dados colhidos pela oposição, um dia antes do alegado massacre, um patrulheiros da Polícia avisava a população a não participar da manifestação, sob pena de ser fuzilado. Só que, a população que já tinha o aval da Polícia, menos da administração, pensou que as autoridades seriam condescendentes o que não aconteceu.
"Rebelião Ramadã nunca existiu", asseverou Benedito Daniel, líder do PRS.
O presidente dos renovadores disse ainda que armas alegadamente usadas para atacar a esquadra foram recolhidas durante as buscas que a Polícia tem feito, no âmbito do desarmamento da população civil.











