UNITA apresenta relatório da “operação Cafunfo”
No relatório sobre o alegado massacre de Cafunfo, os deputados da UNITA que estiverem retidos a cinco km daquela localidade, durante três dias, consideram que "apesar da cárcere ilegal, abusiva e grosseira de todos os membros da delegação, a sociedade civil, a igreja, as famílias das vítimas e os agentes dos órgãos de defesa e segurança patriotas, tudo fizeram, mas absolutamente tudo, para os fazer chegar a sua solidariedade e dados importantes sobre a ocorrência do dia 30 de Janeiro".
Por: Olímpio Carlos
Falando em conferência de imprensa, em que foi apresentado o relatório, os deputados acima referidos, aproveitaram a ocasião para agradecer o apoio e a solidariedade de todos aqueles que directa ou indirectamente contribuíram para o êxito da missão parlamentar ao município do Cuango.
Relatam que o calvário começou mesmo na sede Municipal, onde os cumprimentos de cortesia ao administrador Municipal e ao Comandante da Polícia Nacional, que normalmente acontecem, foram rejeitados por alegadas ordens superiores.
Elucidando uma perfeita sintonia, a Polícia de Intervenção Rápida interpelou a delegação dos parlamentares do maior partido da oposição que se fazia acompanhar de dois activista cívicos, colocando—a sob sua custódia, alegando sempre ordens superiores.
Na cancela do posto de controlo da Sociedade Mineira do Cuango, a 5 Km de Cafunfo, a delegação foi proibida de receber alimentação e água potável.
"Os deputados foram submetidos a condições desumanas e inimagináveis para um Estado democrático e de direito", lê—se no relatório.
CONSTATAÇÕES
Das constatações feitas, concluiu—se que aquele grupo de cidadãos reivindicavam a falta de hospitais com medicamentos para e todas condições para o tratamento deles e das comunidades.
"Manifestaram a indignação pelo facto de a ENDIAMA ter construído clínicas denominadas 'Sagrada Esperança', em quase todo país, excepto nas Lundas Norte e Sul, e porquê não no Moxico?".
A delegação do Grupo Parlamentar da UNITA alega ter apurado que o número de manifestantes foi apenas de 93 cidadãos no total, e não de 300 pessoas como alegaram as autoridades.
O número reduzido de cidadãos que pretendiam manifestar, "deveu-se a atitude das autoridades que um dia antes, isto é, no dia 29 de Janeiro procederam à buscas e detenções de dezasseis (16) membros da organização que vieram a ser apresentados como insurgentes".
Apuraram que durante o desfile, os manifestantes entoavam cânticos com o seguinte teor.
“A Lunda é nossa, deixem-nos em paz” e o guia da manifestação empunhava uma catana (a única), que alegaram como símbolo de resistência e bravura a exemplo de 4 de Fevereiro de 1961.
Mesmo assim, diz não ter havido a mínima intenção de atacar a esquadra da Polícia local ou afrontar as autoridades.
"A delegação do Grupo Parlamentar da UNITA apurou que o guia da manifestação que empunhava a única catana foi o primeiro a ser atingido com tiro num dos membros inferiores; na sequência, um oficial das Forças Armadas vendo-o estatelado no chão, aproximou-se com petulância, o que originou a revolta num último esforço do ferido para a reacção com o golpe de catana", avança o documento.
Face às informações recebidas, os deputados não têm duvidas que as forças de Defesa e Segurança tenham provocado dezoito (18) feridos com armas de fogo e desse número, sete (7) encontram-se a fazer tratamento tradicional por receio de serem mortos, caso se apresentem a um hospital para tratamento convencional.











