Altas patentes da PNA e FAA negoceiam com ex-militares para travar manifestação em frente ao Palácio Presidencial
Depois de 13 anos com pensões beliscadas, os ex—militares das ex—FMU e FAPLA, decidiram sair à rua, para reivindicarem os seus direitos, depois de sucessivas promessas.
Por: Olímpio Carlos e Belchior Resende
Mas as autoridades parecem interessadas em evitar que tal aconteça. Nesta quinta—feira, 11, teve lugar uma reunião, que frustrou a expectativa dos militares na reforma, pois as suas exigências são consideradas astronómicas.
Eles exigem que as pensões sejam fixadas apenas com base no grau militar e não na idade, como tem acontecido até hoje.
"Há capitães que auferem uma pensão de 200 mil Kwanzas e outros 53 mil Kwanzas", revelam, considerando tal critério uma tremenda injustiça.
Para além deste factor, que é o decisivo, há registo da falta de dinheiro para as empregadas dos generais e oficiais superiores. Este dinheiro, segundo contam, foi cortado sem nenhuma explicação. Pelo menos três manifestações já foram realizadas, mas acabaram todas reprimidas.
Mas desta vez, e no calor da onda de manifestações, eles pretendem ser mais vigorosos.

"A Governadora provincial assim como o Comandante Geral da Polícia pedem para não sairmos à rua", disse ao Na Mira do Crime um dos organizadores da manifestação, acrescentando que também ligou foi o inspector geral das FAA, o Gen. Marques, pedindo um encontro.
"Nós, agora, só aceitamos participar de encontros, realizados na base da lógica, entendimento, sensibilidade e respeito mútuo", referiu deixando que "nós não somos ex—militares, mas sim militares na reforma; seremos sempre militares até morrermos".
Os militares esperam resultado positivo, em todas as negociações que se realizarem, “porque o tempo de espera já foi para além dos limites da paciência. A data para manifestação continua a ser dia 20 de Fevereiro corrente", reafirmaram.
Os factos
Mais de 300 ex-militares inscritos na Associação dos Oficiais Generais, Superiores, Capitães Subalternos na Reforma em Angola, estiveram reunidos no dia 21 de Janeiro do ano em curso, na Feira Popular de Luanda, para mostrar o seu descontentamento com o não pagamento da dívida de mais de 130 mil milhões de kwanzas, contraída pelo Estado angolano.

José Alberto Nelson Limuqueno, Presidente da Associação dos Oficiais Generais, Superiores, Capitães Subalternos na Reforma em Angola, pediu a intervenção do Presidente da República, para acudir a situação de penúria em que as famílias dos reformados estão submetidas.
“Em 2009 assinamos documentos que garantiam que os dinheiros seriam pagos em 2015, até hoje nem água vai nem água vem, estão sempre com a mentira de Covid-19, mas o que nós temos a ver com isso?”, questionou.
“O Executivo tem que liquidar a dívida de mais de 130 mil milhões que tem connosco, fruto dos cortes nas nossas pensões de reforma e subsídios, por causa da falta do nosso dinheiro estamos a viver mal”.
De acordo com o brigadeiro na reforma, os oficiais estão em situação de vulnerabilidade, e muitos recorrem aos contentores para se alimentarem.
“A pobreza está a tomar contornos perigosos, nós somos analfabetos, não sabemos ler nem escrever, por causa da guerra, hoje em dia não temos dinheiro para pagar propinas para os nossos filhos, há colegas que estão a comer nos contentores de lixo”, lamentou.











