Eleições: MPLA e UNITA deixam de ser meros adversários políticos e "afiam as garras"
Os últimos desenvolvimentos da política angolana mostraram, mais uma vez, que a ideia de que quando o assunto é a disputa do poder, tudo vale, pode ser fatal para as contas finais. Pode ser tão prejudicial para quem cultiva essa ideia.
Por: Lito Dias
Não é sensato, em épocas de pré—campanhas e campanhas eleitorais trazer discursos que reduzem a credibilidade de políticos e forças políticas concorrentes que, em vez de aprimorarem os seus programas de governação, preocupam—se simplesmente em atacar o adversário, sem saber dos anticorpos que este carrega; que de levar a sua mensagem ao eleitorado, confunde—se com discursos inflamados e pueris.
Esta falta de criatividade pode ser fatal para qualquer organização política que assim proceder.
As campanhas eleitorais, em Angola, têm sido cobertas de escudos de ódio, ao erradamente pensar—se que se trata de uma questão de vida ou morte; aniquilar o adversário de todas as formas e tira—lo, de vez, do caminho é garantia de estabilidade, paz, harmonia, respeito pela diferença é pelas liberdades fundamentais.
A primeira quinzena de Fevereiro arrancou dando—nos indicadores de que os próximos dias serão ainda mais difíceis do que são hoje, tanto na falta de abertura política, como na respeito das garantias e liberdades fundamentais.
Economicamente, tudo o que for feito estará mais enquadrado no âmbito da pré—campanha e não propriamente na visão de dar ao povo o que ele bem merece.
Muito já foi dito a esse respeito, mas importa buscar alguns factos característicos das campanhas eleitorais, em Angola.
Se até a um ano antes das eleições gerais as zungueiras são chicoteadas pelas autoridades, forçadas a perder os seus produtos por alegadamente venderem em locais impróprios, durante a campanha eleitoral, elas já serão permitidas a vender em tudo o que é canto.
Se esses dias, os camponeses não têm mãos a medir no escoamento dos seus produtos, na pré—campanha ou mesmo durante a campanha, já serão disponibilizados ou distribuídos camiões para facilitar o escoamento dos produtos.
Se hoje em dia, deixa—se a capital do país apinhados de lixo, como se de um fenómeno novo se tratasse, não será surpreendente se aparecerem operadoras a recolher lixo em tudo o que é canto, na véspera das eleições.
Um pouco por todo país, algumas vias estão degradadas, mas sabemos assim que soar o apito para convencer os eleitores, algumas dessas vias serão intervencionadas.
No caso das cidades, teremos seguramente acções de terraplanagem a serem feitas até na calada da noite.
Várias acções de caridade serão prestadas.
Em suma, teremos 'um país cor—de— rosa'. No entanto, para não se afastar tanto da praxe, espera—se que a relação entre o executivo/MPLA e a oposição, com a UNITA na crista da onda, não será Boa.
Em todos os pleitos deixam de ser meros adversários e passam mesmo para inimigos. Aliás, sabe—se que é no período pré—eleitoral que mais quadros da oposição são corrompidos. Foi nessa esteira em que UNITA perdeu proeminentes figuras como Miguel Zau Puna, Tony da Costa Fernandes, Honório Vandúnem, George Chiloti, Norberto de Castro, Aniceto Hamukwaya, Fernando Sõi, Fernando Heitor, Jorge Valentim, João Baptista Chindandi, Miji Itengo, Malheiro Elavoko, entre outros.











