Quatro décadas e meia: Polícia está comprometida com a protecção do bem vida?
A polícia angolana completou 45 anos de existência numa altura que os ânimos continuam altos. O caso Cafunfo, repressão de manifestações e a morte de manifestantes em Luanda e na vila mineira de Cafunfo não dão boa imagem à este órgão castrense que se quer moderno.
Por: Matias Miguel
Em representação do Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, o General Pedro Sebastião, Ministro de Estado e Chefe da Casa de Segurança do Presidente da República, presidiu ao acto central das festividades do 45º aniversário da Polícia Nacional de Angola, que decorreu, com pompas e circunstancias, no Instituto Superior de Ciências Policiais e Criminais a 28 de Fevereiro de 2021.
Em gesto de abertura, o governante disse que o 28 de Fevereiro é o marco de reflexão e acção para que o País continue a ser defendido e protegido por cada um de nós.
Fazendo recurso a história, sublinhou as várias etapas da Polícia Nacional, criada a 28 de Fevereiro de 1976, marcada com o primeiro acto de juramento de bandeira na escola "Mártires de Kapolo", pelo presidente Agostinho Neto.
“Em quatro décadas e meia, a Polícia adaptou-se para responder os desafios e cumprir com a missão de protecção do bem vida e da integridade física dos cidadãos”, explicou, garantindo que ficou evidente a modernização da estrutura organizacional conseguida com a lei de base que defende o carácter republicano da polícia angolana sem pôr em causa a autoridade dos poderes políticos aos quais deve obediência.
Pedro Sebastião, destacou o papel que a PN vem desenvolvendo a nível internacional no processo de formação de efectivos de Cabo Verde, Moçambique, São-Tomé e Príncipe, Namíbia, Zâmbia, RDC, Guiné-Equatorial e da República Centro Africana.
“Os efectivos da Polícia Nacional devem abster-se de práticas como a corrupção, o nepotismo e a impunidade no seio da corporação, devem ser exemplares e os primeiros a da dar exemplo”, apelou, em gesto de aviso aos recentes actos de corrupção que ainda grassam a corporação com a entrada em cena dos agentes do IGAE a autuarem em flagrante delito, principalmente os agentes de trânsito que em exercício de funções continuam a extorquir os cidadãos.
“A Nossa Esquadra”: um projecto exequível
O Ministro de Estado e Chefe da Casa de Segurança do Presidente da República disse acreditar que a implementação do projecto “A Nossa Esquadra”, como nova filosofia de organização da Polícia facilitará uma cobertura policial maior, com melhor atendimento e respostas mais céleres as preocupações de segurança pública.
Que Polícia teremos?
Com alguns acontecimentos recentes e que, certamente, mancharam o 45º aniversário da corporação, embora a Polícia garanta que foi em legítima defesa, como o que ocorreu na vila mineira de Cafunfo, o comandante-geral da Polícia Nacional, Paulo de Almeida, enquanto anfitrião, enalteceu e homenageou antigos comandantes, chamando-os de timoneiros das grandes proezas, crescimento e desenvolvimento da corporação.
Entre os homenageados, o realce recaiu para André Pitra Petroff, Armindo do Espírito Santo, João Arnaldo Saraiva de Carvalho "Tetembwa", Fernando Vaz da Conceição, Fernando da Piedade Dias dos Santos, José Alfredo Ekuiki, Ambrósio de Lemos, Alfredo Eduardo Mingas, Elizabeth Ranque Franck, Maria Apolónia e tantas outras figuras que deram o seu melhor para uma corporação que se quer mais cidadã.
“A Polícia Nacional está em mudanças de geração de efectivos, de conceito de actuação, redimensionada ao contexto político e preparada para os desafios da paz e da democracia”, notou, para depois afirmar com bastante convicção que a corporação que dirige está mais proactiva, mais próxima ao cidadão e de ciclo completo, que previne, investiga e reprime o crime.
Para os próximos cinco anos, garantiu o “número um” da PN, teremos uma Polícia mais presente, para inseri-la como ente do sistema de segurança pública.
“Teremos uma Polícia mais preventiva, oportuna, científica, mais comprometida com o progresso e desenvolvimento do País”, sublinhou.
Estiveram presentes no acto que marcou os 45 anos da Polícia Nacional o ministro do Interior Eugénio Laborinho, o ministro da Defesa João dos Santos Liberdade, o ministro da Justiça, Francisco Queiroz, o Chefe do Estado Maior-General das FAA, Egídio de Sousa, o juiz presidente do Tribunal Supremo e outras entidades.











