A província do Zaire é a mais injustiçada de Angola e está numa miséria total - Sediangani Mbimbi
O político Sediangani Mbimbi, antigo líder do PDP-ANA e que agora faz parte do grupo parlamentar da UNITA denunciou que a província do Zaire está voltada ao esquecimento e está numa miséria total.
Por: Marlita Domingos
Em entrevista ao programa Angola em sete dias, da Rádio Despertar, afecta ao ‘Galo Negro’, o deputado ousou mesmo chamar aquela província produtora de petróleo como a mais injustiçada de Angola.
“Numa província produtora de petróleo, não há petróleo iluminante, que as mamãs utilizam para iluminar as suas casas, não há gasóleo, não há gasolina e isso é vergonhoso”, denunciou, garantindo que, por incrível que pareça, esse cenário aconteceu muito recentemente, numa altura que o país não registou dificuldades de combustível.
Como exemplo disse mesmo que, numa viagem efectuada aquela província do Norte do País, “para regressar à Luanda, tive de comprar um litro de gasóleo a 500 kwanzas”, acusou.
Segundo o deputado da UNITA, a desculpa que lhe foi apresentada pela escassez de combustível no Zaire foi a da proibição, dada por um determinado comandante, segundo a qual aquela província não deveria receber combustível por causa do contrabando de combustível praticado por cidadãos congoleses.
“Sinceramente!!! Aquela província parece ser a mais injustiçada de Angola. Produz petróleo e dá o dinheiro que está a ser usado para a reconstrução do País. Mas, em contrapartida, é a província que está sem hospitais, sem habitação, sem água, sem energia, sem centralidade e sem aeroporto”, avançou, para depois acrescentar que, o povo da província do Zaire está numa miséria total.
Deste modo, questionou, o que é que o governo angolano espera dos habitantes do Zaire?
“Revolta, manifestações e rebelião”, sustentou.
Questionado se o Plano Integrado de Intervenção dos Municípios (PIIM) não trará alguma novidade para esta províncias e os seus habitantes, Sediangani Mbimbi suspirou indignado garantindo que o PIIM não é o primeiro projecto que o MPLA apresenta para desenvolver o País.
“O MPLA já implementou vários programas, mas, infelizmente, todos eles falharam. Não é só o PIIM que vai dar de comer, de vestir ou dar habitação à província do Zaire”, referiu, apontando exemplo, além do Zaire, das províncias das Lundas, onde saem os diamantes e também o enclave de Cabinda rica em petróleo.
“Dizem que aquelas províncias que produzem diamantes, que produzem petróleo e que produzem cobre vão receber 10 porcentos. Agora, eu pergunto: 10 porcento de quanto? Qual é o impacto que esses 10 porcento tem na vida dessas populações?, esse dinheiro cai na mão de quem?”, sublinhou, para depois concluir que são esses tipos de perguntas que devem ser feitos, sendo que as suas respostas, tal como tem estado a acontecer, vão provocar as tais manifestações, rebeliões e revoltas de cidadãos sem o mínimo de condições para sobreviverem.











