‘Galo’ Sapiñala antecipa queda madrugadora de Falcão
A ida de Adriano Sapiñala, como 1º secretário do Galo Negro em Benguela é visto em alguns círculos políticos angolanos como uma das causas que anteciparam a ‘queda aparatosa’ de Rui Falcão na província de Benguela, aliás, a província que, em tempos de campanha eleitoral, o Presidente da República João Lourenço, prometeu transforma-la em Califórnia angolana. Faltando apenas um ano para o fim do mandato do actual governo, Benguela continua a mesma e, por conta de um péssimo trabalho de Falcão que se achava insubstituível, terá recuado no tempo.
Por: Marlita Domingos
O Presidente da República, João Lourenço, exonerou, nesta quarta-feira, 10, Rui Luís Falcão Pinto de Andrade do cargo de governador da província de Benguela e no seu lugar, nomeou o empresário Luís Manuel da Fonseca Nunes que sai da Huila para, supostamente, travar Adriano Sapiñala, com o bom trabalho que tem vindo a fazer naquela província do centro do País.
A queda de Luís Nunes é apontada como uma subida, na medida em que deve melhorar a imagem de Benguela e conter os protestos com boas acções, o que não acontecia no mandato de Rui Falcão, uma carta fora do baralho na mais recente " mexida" protagonizada pelo "exonerador implacável".
Além do ‘galo’ Sapiñala ter antecipado a queda do camarada Falcão, as suas ‘farpas’ contra o seu próprio partido, o MPLA, também são apontados como outros motivos que o levaram a exoneração.
Uma destas ‘farpas’, cuja repercussão teve muitas visualizações nas redes sociais e que chegou a ser bastante aproveitada nos discursos da oposição, com maior realce para a UNITA, foi quando, em Novembro de 2020, assumiu publicamente que o MPLA é o grande responsável pela corrupção em Angola.
“Um dos maiores erros, era de facto, por termos permitido que a corrupção crescesse como cresceu. A responsabilidade é nossa e não vale a pena atirar as culpas para os outros. Essa responsabilidade é nossa”, disse na altura numa actividade do maioritário em Benguela.
E de críticas à centralização enquanto factor adverso ao desenvolvimento local, não é tudo. Aliás, há muito tempo que Rui Falcão, estava a dar vários tiros nos próprios pés, sendo que muitos dos seus pronunciamentos e actos, estavam a ocorrer num momento em que o Executivo de João Lourenço tem estado a ser bastante contestado como nunca se tinha visto nos primeiros anos de governação.
Numa destas aparições, em sede da OMA, Falcão teria afirmado mesmo que os autores do roubo em Angola deveriam ser irradiados do MPLA e de cargos públicos.
"Uma coisa é errar, todos nós somos humanos, erramos, por uma ou outra questão, inconscientemente, e outra coisa é roubar, mexer naquilo que não é nosso, sabendo que estamos a prejudicar outros. Houve camaradas que não roubaram pouco, então... temos de ter coragem de expurgar", acusou na altura, chamando atenção aos saqueadores do erário público a colocarem os seus cargos à disposição antes mesmo de qualquer medida ao mais alto nível do partido dos camaradas.
Insensível
A mancha de Falcão em Benguela não se prende apenas nos ‘tiros que disparava’ contra o seu partido. A falta de sensibilidade com às vítimas de cheias e outras que viram as suas casas demolidas, com maior realce para as do bairro das Salinas, que foram enviadas para a escola do Magistério com poucas condições de habitabilidade.
O antigo primeiro secretário provincial do MPLA em Benguela, era alvo de críticas de vários militantes do partido que o acusavam de promover para os cargos de direcção do MPLA, figuras sem nenhum currículo na organização.











