Agentes da PIR agastados com a falta de promoção dos efectivos
Numa altura de abertura do 1º Concentrado Metodológico dos Órgãos e Unidades de Intervenção Rápida, e justamente quando o Comandante-geral da Polícia Nacional, Paulo de Almeida, anunciava, nesta quarta-feira, 24, em Luanda, a reestruturação da Polícia de Intervenção Rápida (PIR), um grupo dos efectivos falava aos microfones do Na Mira do Crime sobre às vicissitudes em que passam aquelas forças especiais do Ministério do Interior.
Por: Osvaldo de Nascimento
Tal como as forças de Guarda Fronteira, os agentes da PIR reclamam da morosidade de promoção no seio do efectivo. De acordo com os entrevistados, estas duas forças são enteadas do ministério.
“Não deveríamos ter agentes de terceira nas forças especiais, de acordo com o novo estatuto orgânico da corporação. Não há promoção de efectivos, a PIR é uma grande força, mas infelizmente estamos a ser ignorados”, lamentaram.
Descontentamento acentuado
Os efectivos da PIR contam que boa parte do ‘sangue novo’ que entrou para este sector, está a fazer ponte para ir noutros órgãos castrense.
“Não há oportunidades de nada”, como exemplo, os efectivos contaram que, quando o comandante nacional da Polícia de Intervenção Rápida (PIR), comissário-chefe Tito Munana, tomou posse, perguntou quem queria sair da Unidade Anti Terror (UAT), recebeu carta de quase todo efectivo. “Todos queriam ir para outros lugares”.
Regalias retiradas
Segundo os homens da farda preta, antigamente a PIR tinha regalias de atavio e subsidio de morte, “mas tudo isso foi cortado, há agentes que só forma promovidos depois de 25 anos, isso só aconteceu quando o comandante Queta saiu”.
“Não nos estão a capacitar mentalmente, estamos sempre em treinos físicos, mas até na alimentação somos eles falham connosco”.
Os agentes reclamam ainda do único centro de saúde existente na unidade central da PIR, que, contam, só serve para tratar paludismo.
”Se tiveres um problema grave, é melhor procurares um hospital público, ou pedir favores no centro da Unidade Operativa”.
Há equipamentos sofisticados, mas falham na aposta ao homem
Os nossos entrevistados, explicaram que a PIR é uma das forças melhor equipada. “A PIR está recheada de armamentos, o que falta é o reconhecimento humano, estamos preparados para enfrentar motim, para assegurar o Estado, mas infelizmente só promovem os que já têm patentes altas, os agentes são meros artistas deste filme, só servimos para ser carne de canhão”, lamentaram.
Comandante Geral promete revitalizar, modernizar e rejuvenescer a organização
O Comissário Geral, Paulo de Almeida, fez este anúncio na abertura do 1º Concentrado Metodológico dos Órgãos e Unidades de Intervenção Rápida. A alta patente da PNA disse que o objectivo é revitalizar e modernizar este órgão operacional do Comando Geral da Polícia Nacional
Segundo o comandante-geral, urge a necessidade de revitalizar, modernizar e rejuvenescer a organização e atendendo o momento de mudança, de uma geração para a outra, formar jovens com idades entre 21 e 22 anos para o presente.
“A mudança da geração daqueles que se empenharam, lutaram, demonstraram as capacidades ímpares de fidelidade e patriotismo, espírito de cumprimento de missão, por força da própria natureza, já se encontram com certa idade, e não permite ter a mesma dinâmica e elasticidade “, destacou Paulo de Almeida.
O responsável recordou que actualmente o mundo está cada vez mais criminalizado, com o crime se evidência cada vez mais, e os países procuram, nas organizações policiais, desenvolver e dinamizar as suas unidades especiais para fazer face a este tipo de criminalidade que, de forma violenta, deturpa, às vezes, a estabilidade dos Estados.
O Comandante-geral da Polícia pediu disciplina, afirmando que a ordem passa pela obediência das normas internas das unidades, evitar excessos, abusos e ter maior atenção para com o cidadão.
O 1º Concentrado Metodológico dos Órgãos e Unidades da PIR, com duração de três dias, tem como objectivo analisar o novo modelo da organização e discutir com profundidade questões de funcionamento, organização e desenvolvimento desta unidade policial.
Durante os três dias serão abordados os temas “ Intervenção dos comandantes de unidades de reserva “, “ Planeamento operacional na Polícia Nacional de Angola “ e “ Caracterização do estado técnico dos meios de transportes “, entre outros.
Criada em 1992 por ocasião da visita de sua Santidade o Papa João Paulo II à Angola, a PIR tem como missão principal prevenir a delinquência, manutenção da ordem pública, combate a distúrbios e a garantia da integridade territorial.
A Polícia de Intervenção Rápida está representada em várias províncias por batalhões e conta com as Unidades Anti-Terrorismo (UAT), Anti-Distúrbios (UAD) e de Veículos Blindados (UVB).
C/Angop











