Palácio de Justiça do Cazenga "encalhado" há mais de 10 anos
O Palácio da Justiça do Cazenga continua sem servir a população e para os fins para os quais foi construído. As obras que deverão ter custado ‘rios de dinheiro’ dos Cofres do Estado angolano começaram em 2009 ainda na vigência do então administrador municipal Tany Narciso. Para o desagrado de todos, 10 anos depois, a infra-estrutura continua com as portas encerradas e a ganhar fissuras em função do estado de abandono a que se encontra voltada.
Por: Domingos Miguel
Uma obra tutelada pelo Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos que visava "desafogar" o sistema de justiça para o município de Cazenga, tido como um dos mais populosos de Luanda, que "arrancou" dos cofres do Estado mais de 26 milhões de kwanzas para sua execução.
No recuado ano de 2018, o ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, Francisco Queiroz, visitou a infra-estrutura e garantiu a sua entrada em funcionamento no mesmo ano. Mas o que é certo, é que até ao momento, a ‘casa’ continua desabitada pelos funcionários da justiça.
Ainda no âmbito de constatação das obras que realizou há sensivelmente três anos, o governante fez saber que o Palácio da Justiça do Cazenga vai albergar o Tribunal de Família em todas as variantes, dada a sensibilidade que os assuntos familiares apresentam e que configuram também num dos grandes desafios do seu pelouro.
O Na Mira do Crime constatou que a infra-estrutura está à deriva e vai se degradando a cada dia que passa ao olhar conivente do ministério de tutela.
Populares preocupados
Maravilha Pascoal, moradora do município, diz não entender as razões que levam a que a obra não esteja a beneficiar os munícipes.
“É bastante preocupante quando vemos uma obra, onde o Estado gatou dinheiro dos angolanos, abandonada como acontece aqui em Angola. E só para dizer que fruto do tempo que está abandonada e pelo estado actual desta infra-estrutura o estado vai ter que voltar a colocar dinheiro para usar e servir os cidadãos”, apontou.
Rui Monteiro, outro munícipe que também não esconde a sua indignação, no seu entender o que os governantes fazem com o abandono de empreitadas que deveriam servir a população é equiparado a um pai que gera um filho e depois o abandona à sua sorte.
"Quando lançaram a primeira pedra ficamos todos felizes porque é uma estrutura que engrandece o município e que vai ajudar muita gente a dirimir os seus conflitos, mas acabamos por ficar entristecidos porque, passados 10 anos, ainda não foi entregue a comunidade e a infra-estrutura continua a degradar-se sob o olhar impávido e sereno dos governantes", lamentou, depois mesmo de lembrar que a Administração municipal do Cazenga dista a escassos metros onde se encontra a infra-estrutura que vai albergar o Palácio da Justiça do Cazenga.











