14 de Abril: O dia que continua a dividir a Juventude Angolana
Assinala-se hoje, em Angola, o 14 de Abril, dia consagrado a Juventude Angolana. Esta data é também da morte de um comandante das antigas forças armadas do MPLA, por sinal, patrono da JMPLA, braço juvenil do partido no poder desde 1975. A discórdia entre os jovens prende-se na institucionalização de outra data, sem cores partidárias, coisa que para o MPLA jamais vai acontecer.
Por: Patrícia da Silva
Aprovada desde 2005, em assembleia do Conselho Nacional da Juventude (CNJ), por várias organizações juvenis filiadas a esse organismo tutelado pelo Ministério da Juventude e Desporto, diferente do que era esperado, o Dia da Juventude Angolana continua a separar os jovens angolanos e não a unir essa franja da sociedade angolana.
O motivo é sobejamente sabido por todos: “encontrar outra data que não esteja ligada ao MPLA ou aos partidos da oposição”, explicou o jovem Salembe Manuel.
Para Manuel, a data que se comemora o Dia da Juventude angolana não é consensual em função de ter cores partidárias do MPLA, o que faz com que os jovens de outros partidos e, até mesmo, aqueles que não têm qualquer filiação partidária não se revejam na data.
“Como é que eu, que sou da UNITA, da CASA-CE, da FNLA ou do PRS vou comemorar uma data que lembra o militante do MPLA? Isso jamais vai acontecer. Aliás, cada partido político tem o seu patrono para a juventude. Então, uma data neutra seria a mais ideal”, advoga.
JMPLA: “A data é consensual”
O Na Mira do Crime tentou contactar a juventude do MPLA, sem sucesso. Uma fonte da organização juvenil dos "camaradas", que não quis gravar entrevista, disse apenas que não concorda que haja uma falta de consenso em relação à data do Dia da Juventude Angolana, pois foi aprovada há 16 anos.
“Desde lá para cá será que nunca viram que a data tinha a ver a homenagem feita a José Mendes de Carvalho, conhecido nas lides militares como Hoji-ya-Henda?”, questiona, deixando no ar a pergunta para quem hoje pensa o contrário.
A discórdia quanto à efeméride é antiga e vai para lá das organizações partidárias. A CASA-CE, defende a necessidade de celebrar o Dia da Juventude numa outra data, sem cunho partidário.
Garcia Paim, jovem desta coligação eleitoral, diz que o 14 de Abril é uma imposição da juventude do MPLA, o partido no poder.
"Não podemos aceitar imposições quando cada uma das organizações tem as suas datas em que homenageiam os seus patronos", sublinha.
Para ele, a reconciliação passa por encontrar "datas que conduzam a festejos colectivos em que as pessoas e movimentos se revêem, sentando-se à mesma mesa e pensando Angola".
A juventude da CASA-CE propõe, por exemplo, o 6 de Fevereiro para celebrar o Dia da Juventude Angolana – a data da morte do rei Mandume Ya Ndemufayo, que lutou contra a dominação colonial e também morreu muito jovem - e não tem conotação partidária.
Segundo apurou o Na Mira do Crime, a Juventude de Renovação Social (JURS), do PRS, foi uma das organizações que aprovou o 14 de Abril como dia da juventude angolana. Mas, desde 2018, que a organização demarca-se das festividades.
"Foram-nos apresentados diversos critérios, a JMPLA poderia abdicar desta data e nós aprovámos, mas, de lá para cá, os acordos não foram honrados, forçando-nos, assim, a deixarmos de comemorar o 14 de Abril”, dizia na altura Gaspar dos Santos Fernandes, ligado a JURS.
Entretanto, Ismael André, que já foi representante de uma organização religiosa no CNJ, por sua vez, propõe que o Dia da Juventude Angolana se realize a 4 de Outubro, data da fundação do Conselho Nacional da Juventude, a plataforma que congrega todas as organizações juvenis no país, "por ser o órgão que reúne consenso”.
"É lá que todas os jovens se revêem, é por lá que passam todas as políticas juvenis, é onde as organizações juvenis têm os seus parceiros e onde se consegue debater de forma igual", sustenta.











