Oposição 'risca' desejo do líder tocoista ver João Lourenço presidente por 15 anos
As movimentações à volta a revisão pontual da Constituição da República de Angola estão ao rubro, com quase todos os segmentos da sociedade a mexerem-se.
Alguns a moverem palha, mas os outros nem por isso. O bispo e líder da Igreja Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo, os Tocoistas, Dom Afonso Nunes, por exemplo, defende que João Lourenço fique no poder durante 15 anos, correspondentes a três mandatos, uma ideia já rejeitada veementemente pelas principais forças políticas da oposição.
Por: Lito Dias
Algo controverso e descarado, mas sempre peremptório nas suas afirmações, Dom Afonso Nuvens deseja que sejam criados mecanismos para que o Presidente da República, João Lourenço, se mantenha no poder até 2027, tempo suficiente para cumprir a sua agenda.
Olhando para o histórico das suas declarações públicas feitas desde 2017, quando João Lourenço tomou posse, esta é mais pomposa e alinhada com a pré-campanha já em curso, onde uns querem a saída do actual presidente e os outros quererem a sua continuidade no cargo.
Mesmo sabendo que o único mecanismo legal para a materialização de tal desiderato é o voto, o líder tocoista demonstrou algum desconhecimento deste detalhe constitucional.
De recordar que Afonso Nunes, já classificou o ex-presidente, José Eduardo dos Santos, como homem escolhido por Deus para tirar o povo angolano do sofrimento.
Em acto contínuo, teve dificuldades em entender a luta contra a corrupção que João Lourenço conduz, tendo criticado as sucessivas exonerações efectuadas por este.
Para o porta-vos da UNITA, Marcial Dachala, este desejo está longe daquele que um homem de Deus deve ter, numa altura em que a conjuntura do país indica que a alternância é urgente para que o povo conheça o real paradigma do desenvolvimento.
Já o Secretário-geral do PRS, Francisco Malopa, disse que o desejo do Bispo Afonso Nunes visa a satisfação pessoal e não do povo angolano.
O político considera anormal que, enquanto o povo sofre de fome e miséria, haja pessoas que queiram perpetuar no poder os causadores desses males.
Na mesma sensação está a porta-voz da CASA-CE, Cesinanda Xavier para quem Dom Afonso Nunes emitiu a sua opinião, mas "peca por ter feito na qualidade de líder religioso, uma dimensão que choca com o princípio da laicidade do Estado angolano".
Na visão da deputada, a opinião do Bispo não é aceite pela larga maioria dos angolanos comprometidos com a consolidação do Estado Democrático e de Direito, por via da alternância política, regular e positiva.
Ela justifica que, pelo facto de Angola ser um país jovem onde a esperança de vida está abaixo dos 50 anos, não faz sentido que um indivíduo fique no poder 15 anos.











