Eleições: Bófias dos MPLA e UNITA estão a criar medo e confusão com consequências nocivas para sociedade
Depender de estudos e análises que instituições afins fazem dentro de organizações políticas em Angola é algo comum e recomendável, desde que se preste um serviço de qualidade e de interesse público.
Por: Sérgio Kangombe
Nos últimos dias, esses gabinetes de estudos e análises ou de acção psicóloga, dentro de partidos políticos, actuam como máquinas de desestabilização interna, potenciadoras do boato, discórdia, medo, confusão, intrigas, com consequências nefastas para sociedade.
Esses gabinetes, considerados "altamente perigosos" pelo mau serviço que prestam, na sua lógica de mostrar serviço e agradar o chefe, são capazes de inventar cenários, desde que prejudiquem o adversário.
Estas estruturas, que, no caso concreto de Angola, são constituídas por 'bófias' (não existe ex—bófias), são capazes de elaborar cenários que assustam políticos ao ponto de estes fazerem da disputa eleitoral um assunto de vida ou morte.
Afinal, esses gabinetes fazem com que partidos políticos, na sua estratégia eleitoral, usem tudo que poderem para endossarem a sua agenda propagandística. Como escreveu recentemente um internauta, em Angola, esses gabinetes são brutos; não têm regra própria, já que, para eles, tudo vale, quando o objectivo é atingir o adversário político.
Na verdade, para se ter um resultado positivo em tudo que fazemos é preciso fazer—se uma boa avaliação que, no caso de formações politicas, envolve esses gabinetes de que nos referimos.
Factores históricos levaram principalmente a UNITA e o MPLA a apoiarem—se nos seus serviços de segurança, BRINDE e o MINSE—DISA, respectivamente, que quase realizavam o mesmo trabalho. Com o advento da paz militar, houve necessidade de se desfazer essas estruturas, mas ninguém se desfez das mentes nem da técnica muito menos dos modos de actuação.
O MPLA, partido no poder, tem maior acesso aos serviços de segurança do Estado, ao ponto se confundirem com os serviços de acção psicológica.
Está praticamente em vantagem, comparando com a UNITA, cujo gabinete de estudos e análise é dirigido por um ex—agente da BRINDE, mas integra indivíduos que não entendem a matéria, sendo por isso que muitos dossiês passam despercebidos.
E hoje, diga—se tanto dum lado, como do outro, esses serviços têm tido dificuldades de classificar o tipo de informação que recolhem e recebem, induzindo, várias vezes, os seus patrões em erro.
Numa entrevista à Rádio Nacional de Angola, o veterano do partido do Galo Negro, José Samuel Chiwale, foi peremptório em dizer que o seu partido mantinha a sua estrutura intacta.
Essas palavras foram usadas e enriqueceram os espaços noticiosos da imprensa estatal, forçando o também general na forma rebater esclarecendo que apenas quis dizer que muitos funcionários da antiga se secreta da UNITA estavam vivos.
À moda angolana, vai se vendo o aquecimento desses agentes, para posterior entrada em campo, para um jogo de gato e rato onde o rato pode estar no lugar do rato e vice—versa.
Tanto o MPLA como a UNITA têm os seus gabinetes de estudos e análise e sabemos o que têm feito. Algum civismo e elegância profissional impõem—se de formas a se apartarem de hediondas orientações superiores, mesmo vindas daquele que alimenta apenas o sentimento de vingança por algum insucesso no campo político—financeiro e social.











