População de Cafunfo está a ser massacrada - Dom José Manuel Imbamba
O Arcebispo de Saurimo, Dom José Manuel Imbamba, em entrevista a Rádio Ecclésia, denunciou que continuam a morrer pessoas em Cafunfu, e apelou ao fim de assassinatos na província da Lunda Norte.
Por: Belchior Resende
Para Dom José Manuel Imbamba, nenhuma pessoa deveria pagar com sangue pelos simples facto de reclamar o básico necessário para sua sobrevivência, num Estado que se diz democrático e de direito.
“Em Cafunfo ainda continuam a morrer pessoas, nas zonas de exploração diamantífera, ainda continuam a morrer pessoas, os seguranças que defendem as minas, continuam a massacrar pessoas, para isto não podemos nos calar de maneira nenhuma”, alertou.
De acordo com o prelado, os bispos católicos da região têm constatado que, o grande problema naquela parcela do país é um certo abandono que se vive ao longo dos anos, e estas tensões existem porque às pessoas experimentaram alguma frustração, tendo consciência do solo rico que possuem, em todos os sentidos, “não só nos minerais, é um solo rico em agricultura, em rios e muitos outros recursos não explorados, e não ter o básico necessário para viver e difícil”.
“Estamos a falar de energia, água, educação, estradas, saúde para que a vida flua e as pessoas sintam o impacto daquilo que é retirado daqui para o desenvolvimento de todo o país”, disse.
Aposta na formação dos quadros autóctones
O pastor defende como principal investimento das empresas que exploram recursos na região, a formação dos quadros locais.
“O desenvolvimento melhor não é outro senão o desenvolvimento das pessoas, é preciso investir na melhoria da cultura deste povo e em tudo que vai fazer que a Lunda se emancipe, se desenvolva, se reencontre e contribua positivamente para o desenvolvimento harmonioso do país”.
Dom Imbamba desvaloriza comunicado do Bureau Político do MPLA sobre os assassinatos de Cafunfu
O também vice-presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), desvalorizou a forma e o conteúdo do comunicado do Bureau Político do MPLA, tornado público por ocasião dos assassinatos em Cafunfo.
“Aquele comunicado do Bureau Político do MPLA foi um comunicado triste e também feito sob emoção, mas que não espelha aquilo que realmente estamos a viver na carne”, disse, sublinhando que, “nós não ouvimos contar, não recebemos relatórios em papel…nós visitamos, nós vivemos e caminhamos com as comunidades, então é preciso não ficarmos nos efeitos, o problema é que nós, não gostamos ir às causas, não gostamos ouvir aquilo de facto deve ser feito para que às tensões diminuam”.
Administrações nas Lundas tornaram-se partidárias
“É preciso que as administrações não sejam sedes de partidos, às administrações têm que servir apenas o bem comum, e que as politicas sejam feitas nas sedes partidárias”, exigiu.











