Sete meses depois: Hospital do Luau continua em escombros
Depois das fortes chuvas que se abateram no município do Luau, província do Moxico, cujos estragos foram incalculáveis, sendo o maior, a destruição total do hospital municipal, entre outras infra-estruturas, sete meses depois de ter recebido a visita da ministra da Saúde Sílvia Lutucuta, a situação continua a mesma: o hospital vai se degradando dia após dia e os pacientes são assistidos numa escola adaptada, cujas condições são impróprias para o atendimento médico de diversas patologias.
Por: Marlita Domingos
Os pacientes ouvidos pela nossa reportagem dizem que a escola adaptada em hospital não oferece condições necessárias para cuidar da saúde.
“As condições de atendimento não são adequadas porque isso é uma escola. O que nós queremos é mesmo a reabilitação do hospital”, explicou o paciente Marcelino Tchipepe.
Mariana Ngoi, por sua vez, disse que é urgente a reabilitação do hospital em função dos alunos da escola N.º 75 do Luau terem sido distribuidos para outras escolas do municipio, algumas distantes da sua localidade, situação que cria inumeras dificuldades para os encarregados de educação.
“Notamos, por exemplo, que numa sala de aulas tem mais de 20 camas, embora as pessoas estejam bem acomodadas, mas é uma forma de transmissão de outras doenças, já que as salas são muito quentes e o ar não circula”, sublinhou.
Reparação urgente do hospital precisa-se
De reclamação em reclamação, a principal veio mesmo de José Manuel Bongue, Director do hospital municipal do Luau, que hoje atende os pacientes, de todas as patologias e diagnósticos, de forma provisória, na escola pública, denominada Colégio N.º 75 do Luau.
O director do hospital disse que estão a viver dias muito difíceis no sector da saúde no município fronteiriço do Luau.
“Na verdade, temos uma demanda enorme. A nossa média de consultas é de 350 pacientes por dia numa altura que estamos a trabalhar com 55 camas e temos uma taxa de ocupação de 97%, quando o normal seria 80%”, contou, sublinhando que está acima do que é normal para o ramo, situação que é agravada em função de estarem numa estrutura adaptada.
“Não temos ventilação nas salas, a estrutura não é favoravel devido ao aquecimento, é uma dificuldade enorme”, sustentou, para depois dizer que, ainda assim, vão fazendo o que podem para salvar vidas.
Segundo José Manuel Bongue, no Colégio N.º 75 do Luau estão a ser prestados todos os serviços, não obstante as condições da estrutura adaptada para o efeito.
“Infelizmente não temos outra alternativa senão continuar aqui enquanto aguardamos pela reabilitação e ampliação do hospital já que não temos outras salas apropriadas para tal. É um sofrimento enorme, mas vamos trabalhando”, garantiu, sublinhando mais adiante que até os doentes com queimaduras, estão a ser tratados nessas condições.
“Temos muita dificuldades no manejo dos pacientes com queimaduras porque, uma das terapias desses pacientes, é a ventilação. Devem estar numa sala adequada e com uma ventilação adequada, mas, infelizmente não temos salas apropriadas para tal”, contou, chamando atenção que é urgente que se reabilite, sendo que, se os profissionais da saúde reclama das condições de trabalho, os pacientes poderão reclamar ainda mais das condições de acomodação.
Governo local aguarda pelas estruturas centrais
De acordo com o administrador municipal em exercício do Luau, desde a tragedia que se deu em Outubro do ano passado, várias entidades se deslocaram ao Luau, entre elas, a Ministra da Saúde Silvia Lutucuta, que prometeu na ocasião, a reabilitação do hospital num curto espaço de tempo, depois de ter deixado algum material para apoiar a direcção do hospital e o governo do Moxico.
“Até aqui estamos a espera que as autoridades centrais se pronunciem sobre a reabilitação e possivel ampliação do hospital. Por enquanto não sabemos qual é o horizonte temporal para o início das obras”, explicou o edil do Luau. Todavia, já lá se vão sete meses e não há sinais de mudança, segundo dizem os munícipes.
Alunos querem retornar a escola
Segundo apurou o Na Mira do Crime, nos últimos dias, a direcção do hospital tem vindo a sofrer pressão dos alunos que querem voltar a estudar na sua escola, já que a maioria, foram transferidos para escolas distantes da sede municipal.
“Já ouvimos algumas reclamações dos estudantes e, até hoje, continuamos a partilhar o espaço com a direcção da escola, porque nem todas salas de aulas foram ocupadas pela saúde”, sustentou o director do hospital.
Entretanto, a maternidade e a farmácia são os únicos serviços que ainda funcionam na unidade hospitalar antiga. De recordar que na altura os danos provisórios provocados pela chuva apontavam para duas pessoas mortas, oito feridos, destruição total do hospital municipal, entre outras infra-estruturas.











