Falta de dinheiro cria indigência no seio das forças políticas da oposição
Já é hábito, em Angola, assisitir—se a passagem de militantes do maior partido na oposição para o partido no poder, numa fase em que está em campo a pré—campanha eleitoral.
Um movimento que parece normal questiona—se por se efectuar apenas e rigorosamente nessa fase.
Por: António Kañeneñene
Desde as primeiras eleições realizadas em Angola, em 1992, que a UNITA vê os seus militantes partirem para o seu rival crónico. Mas o inverso é raro e quase nem se nota.
Agora, esta movimentação parece estar a conhecer uma nova estirpe. Os militantes do Galo Negro, quase todos que o abandonam para buscam qualquer coisa para mudar a sua condição de vida.
O MPLA, agora que tem o partido liderado por Adalberto Costa Júnior na mão, sabe como é quando atacar.
Tem em decor as exigências que os militantes do Galo Negro, agastados com a "fome" interna fazem, preferencialmente segundo essa ordem: dinheiro, casa e carro.
A UNITA deixou de ser aquele partido autossuficiente e, hoje, depende do Orçamento Geral do Estado, cujo dinheiro é disponibilizado pelo partido no poder, quando bem entender. Às vezes, quando pensa ter dinheiro, este não aparece porque depende, em grande medida, da vontade de quem governa.
Nem sempre é por falta de liquidez, como se faz crer. Este cenário cria indigência no seio das forças políticas da oposição, em parte, devido à forma do seu financiamento.
É justamente nesta fase de extrema indigência que o MPLA alicia alguns barões da UNITA, na sua maioria com dinheiro, viaturas e residências nas centralidades.
Alguns "famintos" da UNITA, como ousou chamar um jornalista angolano, têm tido "a sorte de ver as suas exigências satisfeitas, mas os outros nem por isso.
"Se te dão casa, vai faltar carro e dinheiro. Quando você pressiona, te chamam de chato, porque você já prestou declarações à imprensa", revelou um militante da UNITA que disse ter vivido essa situação.
Segundo uma fonte contactada pelo Na Mira do Crime, a UNITA não dá salário aos seus quadros, mas sim subsídios de funcionamento que são dados "dependentemente da safra mensal ou bimensal".
As quotas, adianta a fonte, têm rendido bastante, mas nem todos quadros da UNITA estão inseridos na Caixa de Segurança Social e na função pública, há muitos desempregados e, por isso, nem sempre pagam as referidas quotas.
"Esses dependem da boa vontade do chefe de colocar o nome dele na lista de comissários da Comissão Nacional Eleitoral.
"A entrada na CNE é quase um negócio", segundo a nossa fonte, que diz ainda que os critérios de indicação são quase sempre reclamados pelos quadros.
Diante da incerteza de um futuro melhor e diante da crise que se instalou no país, "qualquer proposta valiosa, para muitos militantes, é bem—vinda".
A nossa fonte acredita que se o MPLA pagasse tudo que promete no momento do aliciamento, mais militantes da UNITA mudariam de camisola, sem pestanejar.
No entanto, há militantes do partido no poder que se opõem a ideia de abraçar políticos que só perseguem benesses.
"A crise não afectou só os homens da UNITA, mas do MPLA também", disse um partidário do Comité Municipal do Kilamba Kiaxi, lembrando que, em 2012, acolheram alguns militantes vindos da UNITA, incluindo o seu secretário municipal; receberam viaturas luxuosas e, pelo facto do pacote da recompensa não contemplar dinheiro, acabaram por regressar.











