João Lourenço verga-se diante das vítimas de conflito armado e pede que UNITA faça o mesmo
Foi feito, oficialmente, esta quarta—feira, 26 de Maio, o pedido de desculpas públicas às vítimas do conflito armado, por ocasião dos 44 anos dos acontecimentos de 27 de Maio de 1977. João Lourenço exige que outros actores do conflito armado façam o mesmo.
Por: Lito Dias
Diante de várias individualidades racionais, o Chefe de Estado, João Lourenço, reconheceu que, no intuito da reposição ordem constitucional, a reacção das autoridades de então foi desproporcional e lavada ao extremo, tendo sido realizadas execuções sumárias de um número indeterminado de cidadãos angolanos muitos deles inocentes.
"A postura de um Estado perante situações adversas e de extrema tensão deve ser sempre que possível ponderada e comedida", sublinhou.
João Lourenço disse não ser hora de apontar o dedo a quem quer que seja, buscando os culpados. O que importa, em seu entender, é que cada um assuma a sua responsabilidade na parte que lhe cabe.
"É assim que, imbuídos deste espírito viemos junto das vítimas dos conflitos e os angolanos em geral, pedir as humildemente, em nome do Estado angolano, as nossas desculpas públicas e o perdão pelo grande mal, que foram as execuções sumárias daquela altura e naquelas circunstâncias", vergou, explicando que esse pedido de desculpas reflecte o arrependimento e vontade de pôr fim à angústia que ao longo desses anos, as famílias carregam consigo por falta de informação sobre o destino dado aos seus ente—queridos.
O Chefe de Estado apontou o 27 de Maio de 2021 como a data do início do processo de localização dos restos mortais das vítimas da aludida intentona de há 44 anos, começando por Alves Bernardo 'Nito Alves'.
Anunciou ainda que serão entregues às respectivas famílias as ossadas de Jeremias Kalandula Chitunda, Elias Salupeto Pena e Adolosi Paulo Mango Alicerces, dirigentes da UNITA mortos nos confrontos de 1992, em Luanda.
Avisando que a UNITA faça o mesmo, Lourenço, afirmou que este povo que já deu provas de saber perdoar merece ouvir igualmente de quem tem a responsabilidade de fazer um pedido público de desculpas e perdão "pelas almas de Tito Chingunji, Wilson dos Santos e suas respectivas famílias, das valentes mulheres das figueiras da Jamba, dos passageiros do Zenza do Itombe, dos mártires das cidades do Kuito e Huambo e de outros não citados aqui".
O presidente da República está convencido que, com este gesto, as almas dos conflitos políticos terão a paz necessária para o repouso eterno.











