Sobrevivente do 27 de Maio lembra maquiavelismo de Agostinho Neto
O engenheiro Jorge Fernandes, sobrevivente do 27 de Maio, traz algumas incidências do alegado golpe de Estado ocorrido em 1977, partilhando as conclusões políticas a que chegou depois de pouco mais de 40 anos. A primeira é de que, Nito Alves foi vítima do maquiavelismo de Agostinho Neto.
Por: Lito Dias
No seu discurso desta quarta-feira, João Lourenço reiterou que a história não se apaga. "A verdade dos factos deve ser assumida para que as sociedades tomem as necessárias medidas preventivas para evitar tragédias idênticas se repitam", referiu.
Jorge Fernandes viveu dois anos e meio na prisão a fazer trabalhos forçados, e no dia da sua soltura lhe foi feito um pedido para não guardar rancor.
Ele diz ter perdoado todos que o castigaram, mas não esqueceu de Carlos Jorge, da DISA, considerado um dos maiores torciários e assassinos do 27 de Maio.

A ele se junta Costa Andrade 'Ndunduma' o tal que assinava colunas "Fio do Prumo" e a crónica "Malhar no Ferro Quente", que era um incentivo ao ódio.
Na lógica de perdoar, mas não esquecer, traz à luz os nomes dos que o interrogaram, nomeadamente: João Beirão, Henrique Beirão, Henrique Morais e João Guerreiro, por sinal seus colegas da "Universidade do MPLA".
"Não sabia que informação a prestar, pois tinham a mesma vida, viamo—nos todos os dias, reuniamo—nos pelo menos duas vezes por semana, mas, no fim, humilharam—me, mandavam despir para bater e mandavam vestir", relatou.
Jorge conheceu toda a organização do MPLA, principalmente depois da independência. Conhecedor das entranhas do partido no poder, reiterou a ideia de que Agostinho Neto manipulou Nito Alves a seu bel—prazer.
"Foi vítima de Neto", asseverou, acrescentando que logo a seguir o 25 de Abril, no falhado congresso de Lusaka, Neto fez o mesmo para destruir a organização do MPLA que ele não conhecia nem controlava.
PLATAFORMA 27 DE MAIO 'RISCA' HOMENAGEM DE ESTADO
Plataforma 27 de Maio, constituída por parte de órfãos, sobreviventes e familiares do alegado golpe de Estado, ocorrido em Maio de 1977, acusa o Executivo angolano de encenar uma homenagem com fins de propaganda e anuncia a sua desvinculação da Comissão de Reconciliação para a Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos.
Numa carta endereçada ao presidente da referida comissão e Ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, Francisco Queiróz, a comissão acusa o Executivo de querer passar uma esponja sobre os massacres que vitimaram milhares de angolanos, tendo como pico as cerimónias marcadas para hoje, dia 27.











