Equipa completa: João Lourenço recruta mais uma vítima de JES
Depois de juntar junto de si o amigo com quem esteve lado — a — lado durante a campanha eleitoral de 2017, o Presidente da República, João Lourenço, viu — se obrigado a afastar o geral na reforma, Pedro Sebastião, do cargo de Ministro de Estado e Chefe da Casa de Segurança da Presidência de Angola, substituindo - o pelo antigo Chefe do Estado Maior - General das Forças Armadas Angolanas, na sequência da limpeza que vem fazendo desde que despontou a 'operação caranguejo'.
Por: Lito Dias
Trata — se, na verdade, de uma alteração que se impunha pelas circunstâncias, trazendo ao seu lado mais um amigo que, a exemplo de Fernando Miala, Chefe da Secreta angolana, não era quisto pelo presidente José Eduardo dos Santos.
Embora quisesse ter Pedro Sebastião por mais tempo, ao seu lado, João Lourenço tinha que fazer o que sabe fazer melhor: exonera — lo, porque depois de se descobrir que dentro da segurança presidencial havia majores a ostentar riqueza manifestamente vinda do erário público, a situação tornou — se insuportável, levando políticos e sociedade civil a exigir a sua demissão ou exoneração.
Em qualquer latitude a nível global, está— se diante de um escândalo financeiro que compromete o Estado no seu esforço de luta contra a corrupção.
Com a eleição de João Lourenço, em 2017, ele chamou para junto de si alguns dos melhores quadros do país que o ajudariam a materializar o seu programa.
Foi nessa perspectiva que chamou Fernando Garcia Miala para comandar a 'bófia' e Pedro Sebastião para ocupar — se da segurança presidencial.
Com altos e baixos pelo meio, fica a impressão que Lourenço gostou da equipa. Mas, afinal, o pior estava por vir, e quem sabe como as instituições funcionam, sabe que existe complementaridade entre determinados cargos, sendo que a 'operação caranguejo' levaria à exoneração (já que os angolanos dificilmente se demitem) não só de Pedro Sebastião, mas também de Fernando Garcia Miala, que sabe como as coisas funcionam quando o assunto é alocar verbas à Unidade da Guarda Presidencial.
Nota — se, por enquanto, que a esfregona de JLo não atingiu o cantinho onde Miala está posicionado. Seja como for, o Chefe de Estado foi corajoso em exonerar generais e outros oficiais responsáveis em actos que se confundem os "marimbondos", estes que dizem estar enraizados na estrutura atual da presidência da República.
FURTADO, O SALVADOR?
O general de exército na reforma, Francisco Pereira Furtado, entra na casa de segurança da presidência com tudo por arrumar, depois do ciclone Lussaty que levou alguns oficiais à prisão e os outros à primeira forma.
Furtado terá mais motivos para se aproximar ao geral Miala, por inerência de funções, numa altura em que o país político está agitado, com as máquinas calculadoras a fornecerem resultados imprecisos para além de pouco agradáveis.
Esta dupla, há alguns anos, dominou os ecrãs televisivos no mau, mas também no bom sentido.
Enquanto Miala era conhecido como "o homem da massa, porque dava dinheiro e viaturas a jornalistas e jovens, numa tentativa de silenciar vozes que se opusessem ao ex — Chefe de Estado, Furtado foi inserido em várias publicações, em Luanda, por alegados desvios de viaturas designadas à oficial superiores das FAA, e que as atribuições eram enviadas a Cabo Verde, onde o mesmo pretendia candidatar — se à presidência da República do arquipélago. Um esquema, que diz-se em boca pequena, foi forjado pelo general Kopelipa, que tinha o general Furtado entalado na garganta.
Tudo isso teria acontecido numa altura em que a relação entre estes dois generais e José Eduardo dos Santos já tinha azedado, tendo Miala sido preso, julgado e condenado, nas vestes de Chefe dos Serviços de Segurança Externa.
"Se eu não antecipasse o meu pedido de demissão, seguiria o mesmo caminho de Garcia Miala", disse o general Francisco Pereira Furtado, em entrevista à Luanda Antena Comercial, no dia nove de Março de 2019. Longe de saber que, depois de anos , estaria a trabalhar com o Presidente João Lourenço.
Furtado disse, na entrevista que o anterior presidente tomou algumas decisões que não eram como mais adequadas para o momento que o país estava a viver. Isso, acrescentou, foi acontecendo já na fase final da guerra, e na fase posterior "foi um desastre total".
Furtado lembrou as circunstâncias que envolveram a sindicância e a exoneração do general Miala, completando que tinha a orientação verbal de que desvia convocar o Miala para o ato de despromoção, no seu gabinete, quando não era competência sua, enquanto general de exército, despromover um geral de três estrelas.











