Fantasmas fazem parte dos negócios mais rentáveis da Unidade da Guarda Presidencial
As recomendações feitas pelo Presidente da República ao novo ministro de Estado e Chefe da casa Civil do Presidente da República, durante o acto de tomada de posse, são tão incisivas cuja execução implicará, inevitavelmente, mexer com os verdadeiros 'marimbondos'.
Por: Lito Dias
O sucesso dessa investida dependerá de uma séria redefinição dos objectivos desejados. Não é pela primeira vez que o general Furtado recebe ordens do mais alto mandatário da Nação.
Aquando da sua promoção a general de exército, recebeu a missão do Presidente José Eduardo dos Santos, de reedificar as Forças Armadas Angolanas (FAA). Mas não foi tarefa fácil. Aliás, apesar do esforço empreendido para atingir tal desiderato, foi nessa altura em que foi acusado de ter desviado 40 milhões de dólares.
Foi no mesmo período em que foi acusado de ter desencaminhado centenas de viaturas destinadas a oficiais superiores.
Que ele tinha intenção de se candidatar à presidência da República de Cabo Verde não passou disso mesmo.
De acusação em acusação, o general chegou a processar criminalmente o jornalista, Eugénio Mateus, então editor de política do Semanário A Capital, que, entretanto, acabaria ilibado.
Abandonou, a seu pedido, em 2011, o cargo de Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas Angolanas, com o sentimento de dever não cumprido. Como ele próprio disse, o então Comandante—em—Chefe das FAA já recebia informações dos seus colaboradores que o obrigavam a trabalhar fora dos limites constitucionais.
E AGORA?
Como chefe da casa de segurança do Presidente da República, tem de trabalhar no sentido de apagar essa má imagem que está estampada no Palácio Presidencial, que dá a entender que é de lá que parte a corrupção hoje considerada endémica pelo próprio partido no poder que, no passado recente, nem sequer podia ouvir que ela, a corrupção, estava institucionalizada.
Sabe—se que os fantasmas sempre existiram e ainda existem, em grande número, nas forças de defesa e segurança.
Na Unidade da Guarda Presidencial (UGP), os fantasmas fazem parte dos negócios mais rentáveis.
Enquanto os militares dos três ramos das FAA têm formaturas, onde o militar tem a possibilidade de dizer 'pronto' quando é chamado.
Ao se referir a isso, o chefe de Estado, João Lourenço, foi peremptório em dizer que quem tem direito de um salário, tem que dizer pronto.
Entretanto, informações a que o Na Mira do Crime teve acesso, dão conta que na UGP as formaturas são raras, e isso propicia a existência de fantasmas em grande número.
Outro aspecto que deve merecer a atenção é ver que na UGP famílias completas: avó, filho netos e sobrinhos mantêm cargos de chefias. E com isso, adianta a nossa fonte, estabelecem—se teias que vão criando negócios ilícitos.
O general Furtado tem a oportunidade de mostrar que, tal como nas diferentes frentes de combate, é possível remover todos os obstáculos que forem a surgir.
Tanto nas FAA, UGP e na Polícia Nacional há vícios que devem ser removidos
Esses vícios não abrangem apenas a existência de fantasmas, mas também promoções arbitrárias e, neste particular, encontrámos também a venda de patentes.
São problemas que já existiam nas FAA, enquanto Chefe do Estado Maior General. Mas porque mudam—se os tempos e mudam—se as vontades, talvez seja o momento de carregar, agora, todo peso das forças de defesa e segurança, no que a sua organização diz respeito.











