Caso Lussaty: População quer que major seja exemplarmente punido
A apreensão recente de largos milhões de Kwanzas, euros e dólares, bem como inúmeras viaturas de luxo, no âmbito do ‘Caso Lussaty’, fruto da operação ‘Caranguejo’ despoletou o envolvimento de muitos oficiais e generais ligados a Casa de Segurança da Presidência da República, facto que culminou com uma avalanche de exonerações na Cidade Alta, tendo a queda de Pedro Sebastião, até então, ministro de Estado e Chefe da Casa de Segurança do Presidente da República, sido a de maior impacto.
Por: Marlita Domingos
As reações ao ‘furacão Lumajor ssaty’ não se fizeram esperar numa altura que as vítimas ainda continuam a somar e a seguir.
Este jornal saiu à rua e ouviu vários cidadãos a respeito, sendo que, a maioria deles, continua abalada pela forma como os governantes escolhidos a dedo e a preceito, pelo Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, para o tão propalado combate à corrupção, cujos visados eram os ‘marimbondos’, estão a se comportar em função dos mais recentes casos de desvios graves de somas avultadas em dinheiro e bens provenientes do erário público, numa fase em que o País e os angolanos vivem momentos difíceis cujos apelos dos detentores de cargos públicos, passa pelo apertar do cinto, enquanto estes vivem à grande e a francesa a custa dos angolanos.
Os cidadãos ouvidos pela nossa reportagem foram unanimes em afirmar que é lastimável a forma como os dirigentes deste país brincam com o erário.
“Há muito por se fazer desde, a melhoria de condições de vida para o pacato cidadão, condições de saúde nos hospitais e até mesmo a construção e a reabilitação de infra-estruturas sociais. Mas, infelizmente, não é isso que se vê”.
Elias Vitanga, professor de profissão, disse que comportamentos desse tipo devem ser punidos e condenados de modos a que, todo alto dirigente do MPLA e os que tentarem pautar pelo mesmo caminho sejam exemplarmente repreendidos.
“Penso ser da responsabilidade do Executivo de João Lourenço encontrar as medidas mais restritivas para quem comete esse tipo de crimes. E falo isso, em função dos últimos acontecimentos que o país registou e que deixou desagradado até o próprio Presidente, numa altura que o País vai se endividando cada vez mais no exterior”.
Martinho Anacleto, estudante do Instituto Superior da Educação, entende que o erário é património de todos os angolanos e, neste sentido, ninguém deve apropriar-se de forma ilegal do que é de todos.
“Portanto, não faz sentido algum, num País em crise e pessoas do circulo presidencial a saírem sorrateiramente com dinheiros selados, com timbres do BNA, para o estrangeiro”, denuncia, para depois fazer o seguinte questionamento: “Quanto dinheiro já não terá saído nos mesmos moldes em que esse major Lussaty foi detido sem ter sido detectado?”, atirou para a análise que se impõe para o tema que continua a fazer dividir as opiniões quer nos táxis ou mesmo nas conversas de bares. Na visão de Jeremias Afonso, outro estudante universitário, este é um esquema onde a maioria dos dirigentes está metida.
“Numa altura que a fome assola milhares de angolanos, a nível nacional, porque se no Sul e no Leste tem fome e seca, aqui mesmo em Luanda, a capital do País, encontramos famílias a sobreviverem com recurso a alimentos provenientes do lixo. Por isso, não é normal o que estes dirigentes do MPLA estão a fazer com o povo”, sublinha.
Para ele, a solução passa por mudar o paradigma de governação que vem desde 1975 e dar oportunidade a outros actores que podem fazer melhor.
“Já vimos que panela furada não serve para confeccionar bom alimento. Vamos trocar de panela e ver no que vai dar, porque continuar com estes, já vimos que não vão nos dar nada de melhor”, garante.











