Galo Negro’ perde mais uma pena: Nfuca Muzemba renuncia militância na UNITA
O antigo secretário-geral da JURA, Mfuka Muzemba, renunciou a sua militância na UNITA. Em carta datada de hoje, 10 de junho de 2021, com destaque para o jornal das 13 horas da Rádio Nacional de Angola (RNA), o ex-deputado do partido do ‘Galo Negro’ evoca razões pessoais para renunciar a militância no maior partido da oposição angolana, a UNITA.
Por: Marlita Domingos
Embora se avente a possibilidade de Nfuka Muzemba vir a integrar o partido dos ‘Camaradas’, já que, é alguém que nos últimos tempos tem estado muito próximo ao jornalista Gabriel Veloso, o jovem delfim de Bento Kangamba, o antigo líder da JURA, braço juvenil da UNITA, disse que em breve deverá abraçar novos desafios.
Na carta de duas páginas enderaçada à RNA, Nfuka Muzemba, reconheceu que foi um militante da UNITA forjado nas lides da Sociedade Civil, com maior realce no movimento estudantil, chegando a ocupar o cargo de primeiro presidente do Movimento de Estudantes Angolanos (MEA) e eleito, democraticamente, a Chanceler da Associação de Estudantes da Universidade Agostinho Neto pela Faculdade de Direito, um acto raro, cujo cargo é sempre ocupado por alguém ligado a JMPLA.
Nfuka ingressou na UNITA em 2007, tendo por força do seu desempenho exercido funções de elevada responsabilidade política, nomeadamente, a de secretário geral da JURA, cargo que o catapultou a preencher um assento na Assembleia Nacional. Entretanto, acrescenta o antigo líder juvenil da UNITA suspenso sob acusação de corrupção que, após um longo período de afastamento – oito anos – originado por sucessivos bloqueios internos, “decidi, com efeito, renunciar a minha militância com o partido (UNITA)”, explicou, garantindo que as razões são meramente pessoais.
Por este facto, “deixo o partido sem qualquer mágoa e muito menos tristeza”, continou, dizendo mais adiante que vai continuar a dedicar-se ao País. Em gesto de conclusão, sublinha que tal como fez agora, a renúncia de deixar a UNITA, em carta assinada, também voltará a fazê-lo, em breve, quando anunciar ter abraçado novos desafios. Suspenso sob acusação de corrupção Em 2013, a ocupar o cargo de líder da JURA, a organização juvenil do segundo maior partido de Angola, era suspenso pela direcção da UNITA.
Nfuka Muzemba era suspeito de ter recebido milhões de dólares e viaturas para travar manifestações contra o ex-Presidente José Eduardo dos Santos, numa altura que a imagem de JES estava bastante desgastada. Segundo apurou este Portal, a UNITA chegou a fazer uma investigação interna que durou oito meses. A comissão jurisdicional do partido concluiu que Mfuka Muzemba, líder da Juventude Revolucionária de Angola (JURA) - braço juvenil do partido -, resistiu o quanto pode aos acenos do regime, mas acabou por ceder e recebeu três casas de luxo na centralidade do “Kilamba”.
Além de várias viaturas, em quantidade não especificada, o líder juvenil, que ficou oito anos suspenso e, que agora, renuncia definitivamente a sua militância na UNITA, terá recebido também dois milhões de dólares para neutralizar manifestações contra o ex-Presidente José Eduardo dos Santos, e colocar em letargia a sua organização que dirigia, a JURA.
“Houve tentativas de corrupção que envolviam muito dinheiro, alguns milhões de dólares, inclusive. Nfuka foi resistindo, até que chegou uma altura em que comprovadamente não resistiu e recebeu esse dinheiro”, afirmou à data dos factos o malogrado Raul Danda, que na altura desempenhava o cargo de presidente do grupo parlamentar da UNITA, do qual Nfuka Muzemba era membro.
“Além de viaturas”, acrescentou Danda, o antigo líder da JURA “exibia avultadas somas de dinheiro que não podiam vir de rendimento nenhum, nem mesmo do seu cargo de deputado na Assembleia Nacional”. Entretanto, a UNITA apontava, na altura Bento Kangamba, o militante de proa do MPLA, de ter sido o cérebro desta operação de compra de carácter.
Na altura, casado com a secretária e sobrinha do chefe de Estado José Eduardo dos Santos, Kangamba era tido com um dos homens mais ricos do País. Além de Bento Kangamba, a UNITA apontava ainda o nome do ex-chefe do Serviço de Informações e Segurança de Angola (SIS), Sebastião José Martins como estado ligado ao acto de corrupção que levou a suspensão de Nfuka Muzemba.
Nunca recorreu aos tribunais Outrossim, em conferência de imprensa realizada em Luanda, para reagir as acusações de corrupção activa e passiva de que foi alvo, Mfuka Muzemba negou todas as acusações. Na conferência de imprensa, que se assemelhou ao lançamento de um manifesto político, Muzemba garantiu ter “bastantes provas documentais” para mostrar que as acusações são infundadas e admitiu que ainda poderia levar a tribunal os seus detractores, o que nunca chegou a acontecer.
Nfuka Muzemba foi afastado do cargo de secretário-geral do braço juvenil da UNITA por um período de dois anos, mas continuou como deputado da Assembleia Nacional. Na altura dizia que estava fora de hipótese militar ou fundar um outro partido, mesmo sob pressão daqueles que, segundo afirmava, “o queriam matar politicamente”.
Corrida para manchar a imagem da UNITA
Nos últimos dias, muitos militantes da UNITA, maior parte deles sem peso algum, estão a recorrer à imprensa pública para denunciar as más práticas que ocorrem na UNITA e do seu líder, Adalberto Costa Júnior. A UNITA já reagiu e, garantiu, na semana finda, que estes actos têm sido levados a cabo pelo MPLA que quer ver fora da presidência do ‘Galo Negro’, Adalberto da Costa Júnior, por sinal, um forte concorrente a Presidência da República do qual o Presidente João Lourenço, poderá concorrer a sua própria sucessão num segundo mandato conforme estipula a Constituição da República de Angola.











