Só ficou no cargo 18 dias: TPA ‘exonera’ governante a pedido de um ministro
Não é a primeira vez um governante toma conhecimento da sua exoneração por via das redes sociais ou mesmo pela Televisão Pública de Angola (TPA), o canal oficial público. Infelizmente, esta acção traz más lembranças, pois, embora a situação não tenha terminado em morte, pelo menos, ficou o registo de uma governante angolana tentar o suicídio em função de uma exoneração inesperada e, sem aviso prévio.
Por: Marlita Domingos
O arquitecto Paulo Dinis Luvambano é a mais recente vítima do ‘exonerador implacável’, conforme ficou conhecido o Presidente João Lourenço, quando tomou posse, em virtude da ‘limpeza’ desenfreada que estava a fazer nos mais variados departamentos ministeriais e governamentais angolanos.
Uma das vítimas que não viu com bom grado a sua ‘queda aparatosa’ foi, sem sombras de dúvidas, Victória Francisco Correia da Conceição a ex-ministra da Acção Social, Família e Promoção da Mulher, que teve de ser rapidamente socorrida para a clínica Girassol em Luanda, depois de ter tentado suicidar-se na noite de uma quarta-feira, de Janeiro de 2019.
A ex-ministra da Acção Social, Família e Promoção da Mulher ficou entre a vida e a morte depois de ter disparado contra a própria cabeça tão logo tomou conhecimento da sua exoneração, pelo Presidente João Lourenço, no fim do dia, por canais não oficiais.
Sobre a exoneração de Victória da Conceição, que chegou a ser dada como morta, estavam questões supostamente ligadas a investigação do Ministério Público sobre o seu envolvimento num processo de corrupção.
‘Exonerado’ pela TPA
Paulo Dinis Luvambano, segundo apurou o Na Mira do Crime, tomou conhecimento da sua exoneração do cargo que tinha sido nomeado a 12 de Maio, ao assistir o telejornal da TPA, do dia 18 de Junho.
A ocupar o cargo de vice-governador de Cabinda para os Serviços Técnicos e Infra-Estruturas, desde a tomada de posse no palácio presidencial a 1 de Junho, Paulo Luvambano aqueceu o banco dos governadores, vice, nesse caso, por apenas 18 dias.
Será que vai a tempo de receber o primeiro salário como vice-governador? Esta é a pergunta que não se quer calar nessa fase que o governante ainda faz contas à vida, e desdobra-se a procurar os motivos que levaram a sua exoneração prematura.
Se por um lado a falta de informação, principalmente a oficial, gera especulação, com maior realce ao simples facto das exonerações em Angola não virem acompanhadas pelos motivos pelos quais o titular do poder executivo procede as referidas exonerações, tal como acontece noutras paragens – consideradas boas práticas – estes actos deixam em aberto a possibilidade dos cidadãos e especialistas angolanos e não só, fazerem as suas ilações sobre o assunto.
Exonerações a pedido de terceiros...
Segundo apurou este Portal, a exoneração de Paulo Dinis Luvambano deriva de um pedido, via telefônica, ao Presidente da República, do Ministro das Obras Públicas, Manuel Tavares de Almeida.
Os motivos do telefonema, tal como dissemos antes, nem a TPA, que trouxe a notícia da exoneração em primeira mão, conseguiu explicar.
Em função disso, especula-se que ao regressar a província de Cabinda, nas novas funções para as quais tomou posse a 1 de Junho, Paulo Luvambano participou de uma reunião de trabalho com o Secretário de Estado para as Obras Públicas, Carlos Alberto Gregório dos Santos, tendo na referida reunião defendido posições contrarias as do Secretário de Estado em benefício do desenvolvimento para o enclave de Cabinda, cujos cidadãos se batem em busca de um estatuto diferente das demais províncias face aos níveis baixos de desenvolvimento.
“Ele defendeu uma nova tipologia de habitações para uma nova centralidade de Cabinda, contrariamente a programada pelo governo central”, denunciam as fontes do Na Mira do Crime.
Esta situação, segundo denunciaram terá criado um mal-estar entre Luvambano e o Secretário de Estado para as Obras Públicas, este último que não terá aceitado levar desaforos para casa e ‘queixou’ ao seu superior hierárquico o que terá se passado na reunião.
Entretanto, com mais esta queda aparatosa de um governante que, tal como se diz na gíria, nem chegou a aquecer o banco dos escolhidos de JLo, fica claro que alguma coisa séria se passa com a equipa que o Presidente da República tem estado a constituir para dar seguimento ao seu programa de governo, sendo que, é importante trabalhar com todos, até aqueles que têm ideias contrárias.
Aliás, é nas contrariedades e no pensar diferente que boas coisas acontecem para o bem do povo e não o bate palmas, que notabilizou o governo anterior que, João Lourenço tem estado a corrigir os seus erros, muitos deles, crassos e merecedores de palmatorias.











