Seca no sul de Angola mata longe do olhar governamental
Apesar dos esforços do Executivo e de algumas organizações solidárias, a seca e as suas consequências no sul do país, estão bem patentes, hevendo casos de morte, longe do olhar das autoridades.
Por: Lito Dias
"Se numa aldeia, o desaparecimento de alguém só é constatado depois de sete dias em diante, imagine até a informação chegar ao conhecimento das autoridades governamentais", chamou à atenção das pessoas o cidadão Januário Lipuleni, munícipe dos Dembos, província da Huila.
Ele disse não confiar no que "se propala, em Luanda, sobre a real situação da seca nas províncias da Huila, Cunene e Huila", já que no terreno a realidade é outra. "Mesmo os dados fornecidos pelas autoridades não são, ao todo, confiáveis, porque são obtidas das populações que não têm cultura de reportar.
"Quem é que nos vai falar do número de mortos de gente nómada?", questionou, salientando que tudo que se diz sobre as comunidades fixas.
Januário revelou que os apoios que são dados têm ajudado de alguma forma, mas muito tem que ser feio, sobretudo para as comunidades nómadas, para se evitar mortes causadas pela fome e sede. "O que está a causar muitos problemas à saúde das pessoas é o tipo de raízes e fritos silestres que as populações consomem", informou.
AS PALAVRAS DO PADRE PIO
A visão do Padre Pio Wakussanga, a situação da seca no sul do país, por ser cíclica, tem de ser combatida também com acções preventivas, que vão cuidar do.abastecimento de água potável, não só para o consumo humano e animal, como também para irrigar os campos agrícolas.

O pároco da região dos Gambos e responsável pela organização 'Construindo Comunidades acredita que com essas acções concretas pode se inverter o quadro.
No capítulo da água, nalgumas comunidades, como na zona Vihaenduwa, é possível cavar poços com 18 metros de profundidade, que podem abastecer quatro bairros, com custo de até 140 mil kwanzas. "São tão profundos, que só faltam, por exemplo, martelos pneumáticos e recestimento dos poços para evitar desabamentos e perigo para os escavadores e os que limpam e desassoream", assegurou.
Para a agricultura, o padre Pio sugere o uso de bombas solares SF2 Future Pump, que é capaz de regar um hectar por dia, e custa menos de 600 Euros na República da Zâmbia.
"Faz milgres, pois rega muito bem e faz parte das energias limpas e renováveis, pois só dependem do sol", ressaltou, acrescentando que para plantas isoladas ou.ç quando não houver sol, basta puxar a manivela, que ela succiona a água.
Nas margens do rio kakuluvale, pode—se promover a agricultura com vista a minimizar a fome. Para isso, disse, é preciso fazer—se o cálculo topográfico entre o ponto onde se succiona a água até ao ponto onde ela vai ser descarregada.











