VOX POPULI: Metro de Superfície de Luanda não é prioridade para os angolanos
O Governo angolano, fez saber esta semana, numa conferência internacional sobre os desafios de mobilidade e as soluções para o Metro de Superfície de Luanda, que o país tem condições para colocar em funcionamento este meio de transporte moderno, só visto nas maiores capitais de países desenvolvidos.
Por: Patrícia da Silva
Cidadãos ouvidos pelo NA MIRA DO CRIME, entendem que, os mais de 2,3 mil milhões de dólares que vão sair dos cofres do Estado deveriam servir para outras despesas e necessidades mais básicas e urgentes dos angolanos do que o metro de superfície com previsão do arranque das obras em 2022.
Embora a ideia seja considerada de louvável, face aos constrangimentos que os angolanos passam diariamente no âmbito da mobilidade rodoviária dentro e fora da capital do país, muitos cidadãos entendem não ser o momento ideal para tais despesas na medida em que, situações básicas como saneamento básico, falta de água potável, estradas esburacadas, fome e todo mar de intempéries derivadas de “más políticas” continuam a ensombrar o quotidiano dos angolanos.
“Na minha opinião, o metro de superfície não é prioridade para o povo. O país enfrenta, nesse momento, vários problemas sociais. Porém, nesta fase, o que se precisa é resolver os problemas que mais afligem os cidadãos, como por exemplo, a questão do saneamento básico e a melhoria de vida dos angolanos”, disse Joaquim Pedro ouvido a respeito.
Para este cidadão, há muito que os angolanos reclamam sobre a falta de condições na saúde, educação e outros sectores chaves “que o nosso governo deveria prestar mais atenção. Mas isso não acontece e agora querem nos brincar com esse metro de superfície num País onde não tem iluminação pública”, apontou.
Para Marcos Gonçalves, o dinheiro gasto na compra do metro seria para construir mais escolas e melhorar as vias de acesso.
“Não tenho dúvidas que, se parte desse valor fosse investido nestes sectores seria uma mais valia para o País que anda todo rebentado, com estradas esburacadas em tudo quanto é lado, até nas próprias capitais das cidades.
Basta ver o São Paulo aqui em Luanda, aquela zona de Viana que dá ao cemitério municipal, a zona da Kianda, no município de Cacuaco e a chamada cidade da poeira no Kwanza Sul”.
Alfredo Tomás, por sua vez, o governo angolano deve ter em mente quais devem ser as prioridades do seu povo, “mas parece que o nosso governo não vê isso.
Há o problema do lixo que não abandona as nossas cidades, a malária e o paludismo que não conseguimos erradicar e muitos outros como a falta de medicamentos nos hospitais”, apontou, para depois afirmar que, nos dias que correm, as pessoas estão a morrer nos hospitais por falta de assistência medicamentosa o que significa que o nosso país nunca melhorou em termos de saúde.
“Já lá se vão décadas que vivemos com os problemas no sector da saúde, mas, infelizmente, nunca vemos melhorias”.
Por este facto, em seu entender, enquanto ‘pessoa de bem’ o Estado deve criar melhores condições de vida para a população e não servir interesses pessoais ou de grupos, “como estes projectos que apenas tiram mais dos cofres do Estado para os bolsos de poucos angolanos”, afirmou.
As justificações do Governo
Entretanto, O ministro dos Transportes, Ricardo de Abreu, disse que o investimento foi concebido para responder às dimensões sociais, económicas e ambientais de Luanda, revestindo-se a sua implementação de carácter urgente face à situação que se vive actualmente, bem como as estimativas de crescimento demográfico.
Com o projecto, disse, o Executivo pretende servir os habitantes de Luanda com um transporte de elevada capacidade, qualidade e agilidade, permitindo ganhos de tempo e aumento de conforto nas deslocações, quebrando assim algumas das actuais barreiras à deslocação das populações e aproximando as zonas mais distantes.
Ao intervir na abertura da conferência, Ricardo de Abreu disse que as projecções demográficas apontam para um crescimento populacional em Luanda dos actuais 8 milhões para 12 milhões de habitantes em 2030.











