Desempregados pelo ‘sistema’: MPLA pode perder mais de 800 mil votos
O MPLA corre o risco de ver a sua reeleição para governar Angola no binóculo caso não consiga, em tempo útil, encontrar a fórmula para voltar a empregar os cerca de quatro mil cidadãos, maior parte deles, chefes de família, que perderam os seus empregos durante o primeiro mandato do Presidente da República, João Lourenço.
Por: Marlita Domingos
Fazendo cálculos rápidos, pelo menos 8 mil pessoas, ‘frustradas’ com a actual situação do desemprego, poderão não ter o MPLA como escolha ideal para depositar o seu voto nas eleições que se avizinham.
Fazendo recurso aos números apresentados pelo Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola (CEIC), cujos números indicam que o sector formal da economia perdeu 400 mil postos de trabalho, cerca de 80% da cifra de empregos prometidos pelo Presidente João Lourenço, fica mais do que evidente que estes cidadãos, seus familiares mais próximos poderão não votar no partido dos camaradas.
Embora o Governo angolano dúvida destes números, sob o pretexto de que os mesmos não correspondem à realidade, é importante não perder de vista o cenário de insatisfação e ‘frustração’ que a perda de emprego causa aos cidadãos, principalmente, aos jovens que serão chamados às urnas em 2022.
A apreciação, desenhada mediante dados comparativos fornecidos pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), aponta para a existência de 2,1 milhões de empregos no período 2020/21, contra os 2,5 milhões em 2018/2019.
Num artigo do CEIC, o economista Precioso Domingos realça a redução de 16% na quantidade de empregos formais.
Encerramento de empresas e despedimentos forçados são apenas duas das várias conclusões a que chega o investigador, reforçadas com aquelas apresentadas pelo Movimento de Estudantes Angolanos (MEA), que diz não ver surpresas nestes dados.
O presidente da organização, Carlos Teixeira, em fase de preparação de um relatório sobre a desistência escolar por falta de ocupação, considera que a luta contra o desemprego é um caso perdido.
Se por um lado, o Executivo, liderado pelo MPLA apresenta números animadores em relação aos empregos conseguidos nesse mandato, na prática, os angolanos sentem que houve mais pessoas desempregadas do que empregadas.
“Basta olharmos aos casos em que as pessoas foram desempregadas por causa de uma má política do próprio Executivo. E estamos a falar do encerramento de empresas privadas que não tiveram condições de pagar salários nem indemnizar os seus funcionários. O mais triste é que o Estado nem vai pagar os salários desses profissionais e chefes de família. Acha que esses vão votar mesmo votar no MPLA em, 2022?”, questiona o familiar de um funcionário de um canal de televisão que foi recentemente encerrado pelo Executivo angolano.
Quem também olha céptico para a opção em 2022 é Paulino Zeferino, que em tempos ganhou o seu primeiro emprego numa das agências Xikila Money, mas que, infelizmente, continua, em companhia dos seus colegas, a lutar na justiça para ver a cor da indemnização.
“Estamos fartos dessas políticas de perseguição onde o povo acaba por ser a pedra de arremesso. Não somos tidos nem achados e também iremos mostrar isso nas eleições”, garante, em tom bastante ameaçador.
Todavia, muitos jovens esperam que o MPLA, no poder desde 1975, consiga corrigir o tiro e faça algum ‘milagre’ para que, de facto, os angolanos gostem. Caso contrário, o slogan será outro e os militantes do MPLA conhecem de cor e salteado: “Em 2022 vais gostar”, garantem.











