Paulo Pombolo atira a toalha ao tapete: Promessas eleitorais jamais serão cumpridas
Embora a pandemia da Covid-19 continue a ser apontada pelo MPLA, partido que governa Angola desde 1975, como a principal causa para o incumprimento das promessas eleitorais, o certo mesmo é que os dirigentes do maioritário já reconheceram que o MPLA não cumpriu nem poderá cumprir as promessas eleitorais feitas pelo seu cabeça de lista, o Presidente João Lourenço em 2017.
Por: Patrícia da Silva
Uma das principais promessas que continua a gerar bastante contestação nas ruas de todo o País, situação nunca antes vista, mesmo na altura do ex-presidente José Eduardo dos Santos, e, sem sombras de dúvidas, o não incumprimento da criação dos 500 mil empregos.
Situação contrastada, imaginem, com o agravamento da situação económica em Angola e com a pobreza extrema a atingir agora mais de 60% da população, bem como a perde de 500 mil postos de trabalho só no ano de 2020.
Paulo Pombolo, que ‘atirou’ a toalha ao tapete e admitiu, algo inédito a acontecer entre os camaradas, que o seu partido não conseguiu concretizar as suas promessas feitas durante a campanha eleitoral de 2017 pode ver o cargo a escorregar-lhe entre os dedos das mãos, como outros que, ao admitirem o óbvio sentiram o peso do ‘exonerador implacável’ com uma queda aparatosa quer no governo ou no seio do MPLA.
Tal como todos os discursos ‘cozinhados’ para maquiar a má actuação do MPLA em relação as promessas eleitorais e as batalhas perdidas o secretário-geral do MPLA voltou a apontar o dedo acusador a crise económica, financeira e a pandemia da covid-19 como condicionantes que prejudicaram o bom desempenho do trabalho dos camaradas que, diga-se em abono da verdade, três anos depois de Joao Lourenço ter sido eleito, não tem sido sentido pela população que, por incrível que pareça, pedem o retorno de JES ao País para uma aula prática de governação para o povo.
Angola, que caminha para a sexta recessão económica, vive uma grave crise social, agravada com o aumento do desemprego de cerca de 35%, segundo dados oficiais.
De acordo com os recentes dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística, o país perdeu em 2020 mais de 500 mil empregos, que contribuíram para o aumento da pobreza extrema, que atinge agora mais de 60% da população.
Mais promessas
Não satisfeito com o incumprimento das promessas anteriores, Paulo Pombolo, voltou a prometer, num encontro com militantes do MPLA, na cidade do Dondo, município de Cambambe que como dirigentes do partido, vão ajudar a tirar aquela província vizinha de Luanda do marasmo que se encontra, tendo na ocasião deixado claro que o MPLA não cumpriu, sequer metade, das suas promessas megalômanas e que o levaram a ganhar as eleições de 2017.
E apresenta provas: “O exercício governativo desenvolvido desde 2017 está aquém dos objectivos a que o partido no poder em Angola se propôs no pleito eleitoral. O MPLA está empenhado na busca de soluções para inverter o actual quadro”.
Não obstante esse “constrangimento”, assegurou o político, que o MPLA mantém-se comprometido com a causa dos cidadãos, “buscando alternativas para minimizar o impacto do actual contexto socioeconómico”.
Alguém viu por ali a nova Califórnia?
Foi no calor do fecho da pré-campanha eleitoral que João Lourenço obrigou o então governador de Benguela, o também dirigente escutista Rui Falcão Pinto de Andrade, a “transformar a região numa Califórnia em Angola”, capaz de mexer com a economia e gerar empregos.
Perante centenas de militantes, JLo, visto na época como o salvador da Pátria, apontou a "veia batalhadora dos habitantes e as potencialidades agro-industriais" como factores a explorar.
Infelizmente, um ano prestes a terminar o seu mandato de governo Benguela continua tal como ela estava. Aliás, a queda aparatosa de Rui Falcão que atirava farpas aos seus correligionários em função de situações ligadas ao ‘cavalo de batalha’ de João Lourenço – o combate à corrupção – levaram a que fosse substituído pelo empresário Luís Nunes, a quem foi confiada a espinhosa missão de tentar, nesse pouco tempo que falta, transformar Benguela na California do PR. Será que terá ‘pujança’ para tal empreitada? Eis a pergunta que não se quer calar.
Combate à corrupção
O ‘cavalo de batalha’ do presidente da República avança de forma tímida, sendo que, maior parte dos detidos nesse combate voltaram para casa a rir e a esfregar as mãos de contentes, por culpa da covid ou por outra razão, arranjada nas lides judiciais.
Entretanto, o MPLA traçou, no fim-de-semana, na província do Kuanza Norte, estratégias para reforçar a sua hegemonia política na região nordeste do País, (Bengo, Malanje e Kwanza Norte), onde desde as primeiras eleições gerais de 1992, o partido sempre elegeu todos os deputados nos círculos provinciais locais.
Entretanto, num balanço rápido, o que se constata são regiões pobres e subdesenvolvidas, deixando claro que, mesmo ganhando com maioria absoluta estas regiões não são prioridades no que ao desenvolvimento diz respeito.
O último encontro deste género teve lugar no mês passado na província do Huambo, onde o MPLA traçou estratégias para recuperar os cinco deputados que perdeu nas eleições gerais de 2017 no centro do País, durante o primeiro encontro inter-provincial de quadros da região centro-sul (Benguela, Bié, Huambo e Kwanza Sul).
Nas últimas eleições gerais de 2017 o MPLA venceu as eleições com cerca de 61,1 por cento dos votos válidos, elegendo João Lourenço como Presidente da República.
Com este resultado, que correspondeu a um total de 150 deputados para o MPLA, o partido conseguiu também manter a maioria qualificada (acima dos 147 deputados eleitos), apesar da forte quebra da votação face às eleições gerais de 2012, ao perder 25 deputados na Assembleia Nacional.











