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Rui Falcão reedita a política do vale tudo

Rui Falcão reedita a política do vale tudo


O Secretário do MPLA para a Informação e Propaganda, Rui Falcão (RF), recuperado recentemente, depois de quase uma década, ter sido experimentado na solução dos problemas concretos das províncias do Namibe e Benguela, voltou a Luanda para reeditar a política do vale tudo, sobretudo quando os argumentos convincentes se esfumam.

Por: António Kañeneñene

Lembramo—nos que, em 2009, depois das segundas eleições legislativas na história de Angola, o político, em entrevista a um semanário da capital, garantiu que o seu partido usaria tudo e mais alguma coisa para ganhar as eleições, ainda que para isso fosse necessário recorrer a cenários de guerra, como o ataque ao comboio, no Zenza do Itombe.

Na mesma ocasião, como Secretário do MPLA para Informação e Propaganda, justificou o domínio do seu partido nos espaços noticiosos dos órgãos de comunicação social públicos, alegando que o 'M' dominava na midia pública porque era única força política que fazia alguma coisa, as forças apenas queriam aparecer na fotografia e na televisão, sem nada fazerem.

O que não o dirá hoje, certamente, porque as coisas inverteram—se no conteúdo e na firma.

E agora? Já nas vestes de Presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior (ACJ), de passagem em Benguela, onde Falcão era governador, este manifestou apreço e admiração pelo líder do Galo Negro, o que até foi visto como normal.

O ex—governador de Benguela mostrou alguma simplicidade e alguma elegância política, porque nem todos governadores teriam a mesma 'onda'.

Repescado para as estruturas centrais do seu partido, em Luanda, da mesma pessoa, com algum nervosismo à mistura, começam sair expressões que riscam muitos bons feitos do passado.

É da praxe ver dirigentes da UNITA e do MPLA viajarem pelo mundo, em missões diplomáticas, férias ou em tratamento médico, sem que isso significasse fuga do país.

ACJ, que praticamente uma boa parte da sua vida fé—la no exterior do país tem estado num vaivém constante, ao que RF não se terá apercebido.

Como se estivesse surpreendido ou preocupado com a saída de ACJ do país, o político que admirava passou a ser fugitivo, só porque foi cuidar da diplomacia do seu partido que, segundo fontes internas, está a ser bem sucedido.

Talvez, por metodologia, os procedimentos de um governador devem ser radicalmente diferentes dos do Secretário para a Informação.

Daí que, para RF, Adalberto, em Benguela, era bestial, mas em Luanda uma besta. Se tivermos em conta o adágio, segundo o qual, "ninguém dá ponta—pé num cão morto", RF, sem querer, publicitou gratuitamente o périplo de ACJ.

Chamou ACJ de "arruaceiro", porque alegadamente estaria a financiar jovens para manifestarem—se contra o Executivo. Até pode ser verdade, mas os problemas que estes jovens evocam são problemas concretos; existem mesmo.

São daquelas promessas mal realizadas e, na maioria dos casos, por materializar. Estes jovens, muitos deles intelectuais sabem o querem. Aliás, não precisam ser intelectuais nem de alguma forma coagidos para se aperceberem que não têm emprego, saneamento básico, educação à altura, e que o nível de vida está alto.

Portanto, são problemas com os quais dormem e com os quais acordam. Alguém precisaria de ser pago, para se aperceber que sente fome e precisa de comer?

 

 

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