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Destituição de Adalberto: UNITA ‘antecipa’ Tribunal Constitucional e acciona “Plano B”

Destituição de Adalberto: UNITA ‘antecipa’ Tribunal Constitucional e acciona “Plano B”


A eventual destituição de Adalberto Costa Júnior da liderança da UNITA tem agitado a agenda política angolana, ao ponto de ter sido referenciada pelo Bureau Político do MPLA que, em comunicado, expôs a ideia de que a continuidade de ACJ à frente do seu partido estava “por um fio". No entanto, o maior partido na oposição engendrou uma estratégia de contornar qualquer decisão do Tribunal Constitucional que prejudique o seu líder.

Por: Cecília Fontes

Depois do pronunciamento daquele órgão do partido governante, os militantes da UNITA contando com a provável invalidação do congresso ordinário de 2019 e, consequentemente, todos os actos daí decorrentes, passaram a admitir todos cenários: proceder ou improceder o processo de destituição de ACJ.

O NA MIRA DO CRIME conversou com alguns militantes da cúpula do maior partido na oposição, que admitiram que "qualquer decisão que venha a ser tomada e que invalide o congresso será meramente política e não jurídica, pelo facto de os candidatos derrotados por ACJ não apresentarem queixa sobre eventuais irregularidades no congresso, sendo por isso que o Tribunal Constitucional o validou.

Os receios da UNITA evidenciaram-se ainda mais, depois do recente acórdão do TC que, apesar de algumas observações, anuiu o documento sobre a Lei de Revisão Constitucional tendo, o presidente do referido órgão, Manuel Aragão, tecido duras críticas ao Executivo.

E se o TC declarar procedente o processo de destituição?

Esta é a pergunta que todos interlocutores responderam com segurança: a direcção do partido encontrará uma solução que mantenha ACJ à frente do partido do Galo Negro.

"A primeira coisa que deverá ser feita é reunir, com urgência, o Comité Permanente (CP) e da Comissão Política", relatou, acrescentando que este deverá estudar a possibilidade de se convocar um congresso extraordinário ou uma conferência nacional, que deverá eleger o presidente do partido. "Nada impedirá ACJ de concorrer à reeleição", prevê a nossa fonte.

Para ela, a entrada imediata do segundo candidato mais votado não é legal, por isso foi descartada, já que ACJ granjeou simpatia até de militantes que não votaram nele.  

A possibilidade de entrar na liderança da UNITA, o segundo candidato mais votado, no caso Alcides Sakala também já foi "ponderado" pela cúpula do partido e é considerada inviável pela nossa fonte, sobretudo por considerar que a maioria dos quadros do CP são fiéis à actual liderança.

A idade de Sakala estaria a jogar a seu desfavor. "O que vai na mente de muitos quadros é a realização do congresso, ainda que seja apenas em um dia com o propósito único de eleger o presidente, devendo ACJ recandidatar-se", revelou.

Para além desta medida, o "laboratório" dos maninhos está a gizar vários cenários que vão permitir que o actual presidente se mantenha e seja candidato às eleições de 2021.

TRAIDORES NO GALINHEIRO?

Passados pouco menos de dois anos desde a realização do conclave, alguns militantes que apoiaram os candidatos perdedores, ainda não engoliram a derrota, e esperam ansiosamente pela destituição de ACJ.

Este sentimento, segundo os nossos entrevistados,  é notório, até nas redes sociais.

O NA MIRA DO CRIME ouviu um dirigente de topo do galo negro, que revelou existirem reuniões clandestinas, que se realizam algures em Viana por antigos inspectores do partido, todos eles coronéis na reforma.

"Eles, mesmo estando no partido, desde o congresso, a sua missão tem sido inventar cenários para mancharem a figura de Adalberto, para propiciar a sua saída do partido", denunciou a fonte que fala na realização de um congresso como principal cenário.

Os mandantes ou percussores desse "jogo", segundo a nossa fonte, são, entre outros, José Pedro Kachiungo e algumas figuras próximas a Alcides Sakala que, no fundo, são aliados do ex-presidente, Isaías Samakuva.

[Segundo eles, na eventualidade de ACJ sair, o favorito seria Sakala ou, para orientar o partido até ao próximo congresso, recorreriam aos préstimos de Isaías Samakuva que, não fosse a morte, seria coadjuvado por Vitorino Nhany.

OS PECADOS DE ACJ

No seio do partido UNITA, há vozes conservadoras que não "perdoam, por nada," o regresso de militantes "que tinham traído o partido", bem como o ingresso de personalidades de proa do MPLA que pretendem alinhar-se com a Frente Unida para Alternância.

Enquanto ACJ justifica alianças com a ideia de que para tirar o MPLA do poder é preciso unir forças, esses militantes radicais consideram que o partido, com essas alianças, corre o risco de ser integrado por agentes de segurança do regime, que podem, depois, provocar danos tantos quantos David Mendes está a causar.

A ideia aventada por ACJ de contar na Frente com a filha do ex-presidente, José Eduardo dos Santos, veio aumentar a ira daqueles que acham que no consulado de JES o seu partido perdeu muitos quadros, porque  ele foi muito implacável.

No entanto, outros quadros Consideram que a Frente é bem-vinda, porque ainda que venha ser integrada por agentes dos serviços de segurança, "eles não têm mais nada para explorar da UNITA. Já quanto ao acolhimento de Isabel dos Santos, socorreram-se a dizeres do líder fundador do partido, segundo os quais "as armas que vencem as batalhas não cheiram o país de origem; Mas sim cheiram pólvora.

O Caso

Recentemente, um grupo de militantes da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) fez ataques à liderança do partido e dirigiu-se ao Tribunal Constitucional para exigir a impugnação do congresso que elegeu o atual líder do maior partido da oposição. Os militantes, liderados por Kawiki Sampaio da Costa, antigo secretário para mobilização da UNITA em Luanda, acusam Adalberto Costa Júnior de violar o Estatuto do partido, alegadamente por ter dupla nacionalidade – angolana e portuguesa. 

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