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Quem é o responsável pelos elevados índices de mortalidade nos hospitais do país?

Quem é o responsável pelos elevados índices de mortalidade nos hospitais do país?


Os factos do quotodiano ilucidam a falta de cultura de responsabilização política, em várias áreas da vida nacional, sendo que o sector da saúde é o mais afectado, se tivermos em conta os elevados índices de mortalidade nos hospitais, meses após meses, com um olhar manco e da praxe de quem tomaria medidas concretas para reduzir o luto nas famílias.

Por: Lito Dias

Em Angola, os doentes de emergência continuam a morrer à porta do hospital, devido ao tempo de espera que se torna cada vez mais longo.

Num trabalho de investigação que o NA MIRA DO CRIME fez, constatou-se que para reduzir a taxa de mortalidade a requalificação de infra-estruturas físicas de algumas unidades sanitárias tem de caminhar junto com a humanização dos serviços de saúde, eficiente gestão das unidades e de recursos humanos, aumento de orçamentos e aumento de qualidade dos serviços pela rede primária, com especialização necessária.

Há episódios, marioritariamente avulsos que ocorrem nos hospitais que levam ao descrédito generalizado entre os consumidores de vários serviços dentre clientes, empregados e colaboradores, mas porque, em muitos casos, não existe consequências nos actos de gestão, tudo fica como se fosse legal.

Nesse enredo todo, as culpas são sempre alheias, por não haver nem responsabilização política nem judicial.

Quem paga, como é evidente, é o pacato cidadão, cada vez mais impotente de pressionar o Executivo que, feitas as contas é quem tem todo poder de inverter o quadro.

Às vezes, quando o quadro sanitário agrava, como agora, alguns governantes não assumem as suas responsabilidades.

Ou seja, partilham a responsabilidade do descalabro com a população, mas chamam a si todo o sucesso, por mais ignificante que seja.

Os enfermeiros e pessoal médico que lida com quadro negro do sector de saúde sabe o que fazer para recuperar a mística de tratar os doentes, mas também têm limitações visíveis.

"Estamos a fazer a nossa parte; se o governo também fizer a sua parte a situação vai mudar", disse-mos um médico, no hospital Maria Pia.

Ele diz mais: o problema de Angola não está na falta de pessoal médico, mas sim na falta de condições de trabalho, o que limita acção dos profissionais de trabalho.

"Podem vir milhares de médicos de Cuba e de outros paises, mas se não tiverem condições de trabalho, os angolanos vão continuar a lidar com a morte todos os dias", vincou o médico, para quem o principal culpado pelas mortes em massa é o Executivo.

"É ele que traça políticas públicas; não há outra entidade paralela", asseverou.

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