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Discursos incendiários de políticos do MPLA e UNITA estimulam o ódio e o desamor

Discursos incendiários de políticos do MPLA e UNITA estimulam o ódio e o desamor


Os últimos desenvolvimentos políticos atrelados à devolução da Lei de revisão da Lei Orgânica sobre a Organização de Eleições Gerais ao Parlamento, trouxeram o que os políticos angolanos sabem bem fazer: o 'envenenar' da população com discursos incendiários, acirrando cada vez mais o ódio e a desarmonia entre angolanos.

Por: Lito Dias

Este apontamento vem a propósito da fraca criatividade da classe política angolana que, quando se projectam eleições, ocupa a população com práticas e discursos que não ajudam no seu bem-estar.

Doutra forma, instigam a troca de mimos, principalmente entre os dois crónicos contendores, o MPLA e a UNITA.  Os discursos desta época têm pouco de caça ao voto, nem mesmo de reconciliação; têm mais ódio e estimulam o desamor.

Aliás, fica para a nova geração a impressão de que Angola ainda não está reconciliada e que os desentendimentos políticos são um assunto de vida ou morte.

O MOTE A marcha da oposição expôs o velho problema de 'xingar' a mídia pública, sobretudo as duas televisões: TPA e Zimbo que, no entender dos manifestantes não deviam estar no acto de massas, porque não trataria o assunto da oposição com imparcialidade.

O acto de massas também levou muita gente à rua, facto condenado pela Comissão Multissectorial do Combate a Covid-19, por se ter violado uma das cláusulas do estado de calamidade pública em vigor no país, e insta a UNITA e os outros partidos políticos e coligações de partidos a não apostarem recorrentemente em tais práticas. Aliás, lembra, não é pela primeira vez que violações de género sucedem.

De resto, a agressão a jornalistas da TV Zimbo e a concentração de multidões em arrepio ao estado de calamidade são dois episódios que 'feriram' a marcha da oposição.

Pareceu que nem tudo estava mal quando o Presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, apercebendo-se das aludidas agressões, alertou, durante o comício, no sentido de se proteger os jornalistas, porque eles "não são culpados; eles só cumprem ordens superiores".

No entanto, porque o povo já estava envenenado pelo que viriam a ser, as reacções oficiais, a reacção do líder do partido do Galo Negro perdeu peso.

A TV Zimbo tinha e tem o direito de defender os seus funcionários de qualquer agressão, apesar de, no caso vertente, tenha sido apenas agressão verbal, como atestou um dos responsáveis ouvidos sob anonimato pelo NA MIRA DO CRIME.

No entanto, a abordagem do assunto ficou algo azeda depois da mesma estação televisiva ter apresentado uma imagem de um jornalista Bissau Guineense, como sendo um dos agredidos na marcha da UNITA.

Da classe jornalística, de uma maneira geral, vieram reacções de solidariedade, muitas das quais esvaziadas pela inexistência de factos que mostrassem o número e a identidade dos jornalistas amolestados, na verdade, no dia da marcha.

Entretanto, sobressaíram as reacções de Ramiro Aleixo que, depois de lamentar a ocorrência, falou da existência de interferência no trabalho dos Jornalistas que pode estar na base da acção dos agressores, recomendando, por isso, atacarem-se não só as consequências, como também as causas.

Depois dos comunicados da TV Zimbo e da TPA, mais do Ministério de tutela a exigir um pedido de desculpas a UNITA, sob pena desses órgãos não mais procederem à cobertura das actividades desse partido, surgiu também a reação do MISA-Angola.

Segundo o seu responsável, André Mussamo, tal decisão pode não contribuir para o Estado Democrático de Direito. As agressões verbais de que foram alvos, em seu entender, não podem servir de motivo suficiente para se tomar tal decisão.

Um pouco por todo país, com excepção de Icolo e Bengo, onde Bento Bento preocupou-se em cumprir a sua agenda pré-concebida, nas outras localidades onde foram desenvolvidas actividades políticas, os ânimos exaltaram-se com o MPLA e a UNITA a protagonizarem um jogo de cão e gato, havendo políticos que proferiram discursos que apenas levam o país ao passado sombrio que viveu.

Não faltaram políticos que se arrependeram pelo facto de o país ter optado pela reconciliação nacional.

É caso para dizer que, com o andar da carruagem, rumo às eleições, mais cenários tristes observaremos, por faltar pouco tempo. E a nossa classe política não aprende rápido.

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