Ex-militares licenciados à reserva no Huambo reclamam inserção na Polícia Nacional
Cerca de 400 ex-militares licenciados a reserva no Huambo que teriam como destino a Polícia Nacional dizem-se esquecidos pelas autoridades.
Por: Belchior Resende
Os antigos militares que falaram em anonimato a RD, dizem que o processo começou no ano 2018. “Em 2019 a nossa região conseguiu disponibilizar 125 homens, num total de quase 400 homens. Na altura o ministério do Interior alegou que o restante seguiriam o mesmo caminho”, no entanto, reclamam a morosidade da resolução de quem de direito.
“Organizamos uma manifestação em Dezembro de 2019, onde houve detenções e mortes, passaram dois meses, isso em fevereiro de 2020, e mais cinquenta homens foram enquadrados, saíram do Huambo para Luanda, mas desde aquela data que não se fala mais nada do nosso processo. Estamos aqui sem salários, sem alimentação, o local onde a região nos colocou para passar a noite, na unidade do ATS, não é um local condigno, há colegas a morrerem de fome, nos últimos meses, por exemplo, morreram duas pessoas de doença enquanto outros estão internados”, lamentaram.
De acordo com os homens do gatilho, estão a ser obrigados a regressar para suas zonas de origens.
“Estão a nos obrigar a regressar para as nossas províncias, mas uma pessoa que estava acostumada a receber o seu dinheiro, era pouco, 23 mil kwanzas, mas era o nosso dinheiro e conseguíamos pagar os estudos dos nossos filhos, mas nos cortaram os salários e agora nos obrigam a regressar nas nossas sem nada?”, questionaram.
Os ex-militares ameaçam começar onda de manifestações para exigir os seus direitos
“Pedimos as instancias superiores que velam pelos nossos direitos, eles estão a dizer que quando a comissão da polícia chegar vamos fazer inspecção médica, mas estamos há dois anos a comer mal, estamos com os corpos a definhar, aqui já ninguém pesa 50 kg porque não temos uma dieta saudável, e com esta situação, temos colegas que estão a ficar gatunos... estão a roubar nos bairros para sobreviver, o governo não nos respeita, acho que isso só vai com manifestações, mas nós não estamos para confusão”, alertou.
Em 2020, a Polícia Nacional suspendeu o processo de integração de ex-militares das FA devido à pandemia da Covid-19
Em Junho de 2020, a Direcção de Pessoal e Quadros da Polícia Nacional (PN) suspendeu o processo de ingresso na corporação de ex-militares das Forças Armadas Angolanas (FAA) licenciados à reserva devido à pandemia do novo coronavírus.
Segundo o superintendente Gaspar Vicente, chefe de Departamento de Apoio Técnico da Direcção de Pessoal e Quadros da Polícia Nacional, o reinício do processo está condicionado ao evoluir da situação da Covid-19, mas tão logo estejam ultrapassadas essas questões, será retomado, para a sua conclusão, disse o oficial.
Segundo Gaspar Vicente, em Novembro de 2019 terminou a primeira fase da quarta etapa do processo, que teve um total de três mil ex-militares apurados. "Em Março de 2020, arrancou a segunda etapa, que visa a selecção de mais três mil tropas, cujo processo iniciou com os candidatos da Marinha de Guerra Angolana", disse.
O chefe da Direcção de Pessoal e Quadros pediu aos ex-militares, licenciados à reserva e candidatos a uma vaga na Polícia Nacional, a não adoptar comportamentos de desordem pública porque isso poderá comprometer o seu ingresso.
"Os que estão abrangidos neste processo não devem deixar-se convencer por falsas informações divulgadas nas redes sociais, visto que, qualquer comunicação em torno do mesmo, será oportunamente feita por intermédio dos órgãos competentes, designadamente a Direcção de Pessoal e Quadros da PNA e do Estado Maior General das FAA", referiu.
Em 2019, os ex-militares, que desde 2014 foram desmobilizados das FAA, fizeram duas manifestações em Luanda para reclamar a entrada na Polícia Nacional, tendo um outro protesto ocorrido na província do Huambo, com o mesmo propósito.
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