Efectivos da PNA revoltados com 'acusações' de Dom Filomeno Vieira Dias
Efectivos da Polícia Nacional de Angola estão revoltados com o posicionamento de Dom Filomeno do Nascimento Vieira Dias, Arcebispo de Luanda e Presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), que recentemente atirou culpa aos efectivos da Polícia Nacional, devido a onda de assaltos em Luanda e o face aos elevados índice de criminalidade que o país tem vindo a registar nos últimos tempos.
Por: Carla Nayara
Para o clérigo, que falava na abertura da IIª Assembleia Plenária Anual dos Bispos da CEAST, a Polícia Nacional tem mostrado uma inacção no combate aos crimes, o que faz com que a segurança nos principais centros urbanos atinja níveis altos.
O número de crimes registados na província do Bengo no primeiro semestre do ano em curso, mais de 700, representa, para o pároco, um misto de desespero, medo e revolta. “A violência assusta as pessoas, angolanos e estrangeiros residentes no país, sentem-se inseguros e com medo”, atirou.
Instituições de menos confiança?
Para Dom Vieira Dias, neste momento, a Polícia Nacional é uma das instituições de menos confiança e aprovação dos cidadãos. “Daí a esperança de vermos a nossa Polícia a recuperar a sua incorruptível e sublime missão, para o bem de toda a sociedade”, frisou.
Dom Filomeno apontou ainda os bens da igreja católica que frequentemente são atacados, culpabilizando desta forma os agentes da ordem e segurança.
Polícias reagem
Em conversa mantida com alguns efectivos da corporação que procuraram este Portal, os agentes mostraram total desagrado face aos pronunciamentos da entidade da igreja Católica, uma vez que, dizem, os polícias, mesmo com poucos meios, humanos e rolantes, têm se sacrificado para manter a ordem e a tranquilidade em Luanda e no resto do país.
“A forma como o arcebispo de Luanda se posicionou, deu a entender que a educação e a segurança de cada cidadão depende unicamente da Polícia...a igreja é parceira do Estado e tem responsabilidades acrescidas na moralização da sociedade”, disse um subinspector da PNA.
Um outro polícia, por sua vez, lembrou ao arcebispo que a segurança dos bens da igreja Católica é, também, responsabilidade dos seus membros.
“Desta forma ficamos com a ideia que a polícia deveria colocar uma patrulha e vários efectivos em todos os templos da igreja Católica, é verdade que, como polícias temos a obrigação de prevenir e reprimir crimes, mas a polícia por si só não consegue estar em todo lado, é importante que a igreja saiba que a não adesão ao mundo do crime de alguns jovens, depende, também, da educação da família, e a igreja tem responsabilidades neste campo”.
Os efectivos, mostram-se indignados pelo facto de vários colegas perderam a vida ao longo do dever, e não haver nenhum reconhecimento por parte da igreja ou da população, mas quando é o inverso, todos atiram a primeira pedra.
“A segurança é de todos, somos parte da sociedade angolana, precisamos de meios para melhor servirmos, já seria uma boa iniciativa, a igreja Católica, que também é um Estado, apoiar a Polícia Nacional meios rolantes”, observaram.
Questões de política?
O arcebispo de Luanda, é membro de uma das familias tradicionais do MPLA, Vieira Dias, e é primo direto do general Kopelipa.











