Samakuva pode permanecer no Conselho da República como 'independente'
A forma algo simpática como o Presidente da República apresentou as boas—vindas a Isaías Samakuva, no Conselho da República, trouxe à luz mais inquietação dos militantes da UNITA relativamente às hipotéticas jogadas de João Lourenço.
Por: Lito Dias
O acto, em si, de tomada de posse no Conselho da República não foi demais. Mas o desejo de que o líder da UNITA tenha ido para ficar, mesmo sabendo que o seu partido pode, em menos de 40 dias, eleger um outro presidente, deixou alguns militantes de proa constrangidos, sem saber que João Lourenço pode fazer com que Samakuva seja seu conselheiro, mesmo não sendo presidente de qualquer formação política.
A mensagem dirigida ao político pelo Presidente da República não foi tão inusitada, como se pretende fazer crer.
Foi apenas uma jogada para, mais uma vez, distrair os 'maninhos', que já andam a amordaçar tudo o que vai na sua direcção.
Como o próprio Samakuva reconhece, nesta fase conturbada em que o partido se encontra, depois do acórdão do Tribunal Constitucional, qualquer palavra tem, rigorosamente, várias interpretações.
Só que, no caso vertente, o líder do partido do Galo Negro apenas cumpriu mais um imperativo constitucional.
Logo, as palavras proferidas pelo Chefe de Estado são normais sem necessariamente merecerem interpretações tão grosseiras.
Afinal, para além do antagonismo político, eles são amigos viscerais. Essa amizade é que alguns partidários de IS nem sequer querem ouvir, mas existe.
Nesta condição, JL pode, mesmo depois de IS abandonar a presidência da UNITA, mantê—lo ou voltar a indica—lo como conselheiro.
Aliás, quase todos os membros do Conselho da República são militantes de um partido político, mas não é em nome dele que estão no leque de conselheiros.
Seria algo normal e, por isso, realizável sem beliscar a relação entre o futuro presidente da UNITA o seu antecessor, no caso, Isaias Samakuva.
ODIADO E ESPEZINHADO
O facto de o líder da UNITA pedir esclarecimentos sobre o acórdão, em carta dirigida ao Tribunal Constitucional, gerou, também, algum mal—estar entre os maninhos.
"Ouço tantas especulações, alguns até já me chamaram de burro, portanto, aceito isso, mas eu sei o que quero atingir, isso é para mim mesmo", afirmou Isaías Samakuva, em entrevista à Voz de América, tendo clarificado que o seu desejo "numa situação tão conturbada, não pode vir a público, se calhar até podemos chamar como estratégico, se as pessoas ficam com dúvidas, porque não sabem o que estamos a fazer”.
Reconhece a ansiedade da população, mas pede calma. "A população deve esperar para ver”, tranquilizou.
A imagem do Presidente da UNITA tem sido maltratada por alguns militantes 'apaixonados' por Adalberto Costa Júnior e que, pensam que o actual presidente queira eternizar—se na liderança com um empurrãozinho do MPLA.
Samakuva, no entanto, já riscou a possibilidade de se candidatar no congresso inicialmente aprazado para Dezembro.











