Divisão Política e Administrativa: Entidades Tradicionais preocupadas com divisão dos reinos
A proposta sobre a nova Divisão Política e Administrativa, cuja auscultação foi feita com sucesso, segundo as autoridades, é um grande desafio que leva ainda alguns cidadãos a franzirem a testa sobre os seus reais propósitos.
Por: Lito Dias
Algumas entidades tradicionais receiam que tal divisão venha afectar os reinos. Sob anonimato, alguns sobas das Lundas, ouvidos pelo Na Mira do Crime, sugerem que a Nova Divisão Política e Administrativa deve ter em conta para além dos factores políticos e econômicos, os apectos culturais, étno—linguisticos.
"Na nossa região, por exemplo, há várias etnias ou reinos unidos, como é óbvio, pela sua tradição. Logo, qualquer divisão tem de ter em conta esses elementos", afirmou um soba de Kapenda Kamulemba, para quem é preciso determinar, primeiro, as fronteiras de todos reinos.
Para ele, os bángalas e os cacaris, por exemplo, são pequenas etnias que não podem ser repartidas. O mesmo não se pode dizer em relação o Tchokwes, que são a maioria, mas que têm os reinos cujas fronteiras devem ser respeitadas.
O Cunene, uma das províncias visadas, também tem especificidades próprias que nem sempre são levadas em conta, disse o soba Lipuleny, na comuna de Naipalala.
"Muitos dizem que a Província do Cunene é dos Kuanhamas, quando, na verdade, é mais dos Nhanecas, um grupo linguístico que abrange também as províncias de Benguela e Huila", referiu, acrescentando que apesar dessa extensão, os reinos estão bem definidos, por isso devem ser respeitados.
O soba Lipuleny foi mais longe e diz que se a nova Divisão Política e Administrativa, não for bem feita, pode trazer consequências que podem mexer com o quadro político.
"Nós aqui não votamos em partidos, como tal, mas sim nas pessoas que nos representam", afirmou, deixando bem claro que os governos provinciais devem ser dirigidos por pessoas que conhecem bem a realidade local.
"Os iluminados de Luanda falham, aqui no Cunene, porque mesmo não tendo dinheiro, trazem o modelo de governação da capital do país, que é cosmopolita", precisou.











