Candidaturas à liderança — MPLA 'isola' António Venâncio
Quando faltam 30 dias para o arranque do Congresso do MPLA, a possibilidade de surgirem múltiplas candidaturas parece remota, numa altura em que cresce a publicitação da imagem de João Lourenço como candidato à presidência do partido e da República, onde os militantes antevêem a sua reeleição.
Por: Lito Dias
Noutro ângulo está António Venâncio, que já vai mostrando desespero, acusando o seu partido de estar a criar problemas no processo de recolha de assinaturas.
Fala—se, amiúde, da realização de um congresso histórico onde, pela primeira vez, apareceria mais de uma candidatura. Dai que o acto do engenheiro António Venâncio puder concorrer à liderança do partido tem sido considerado um acto de muita coragem.
Na prática, não passou disso mesmo. Apesar de haver coragem de contactar militantes em todo país, no sentido fornecerem as suas assinaturas, estes, na sua maioria, não têm colaborado, temendo represálias.
António Venâncio, com base nas informações que dispõe, desconfia a existência de uma ordem superior no MPLA que está a travar todo processo de recolha de assinaturas.
Ainda assim, pretende continuar com o processo já agora espinhoso.
A queixa do pré—candidato acontece numa fase em que tanto os órgãos partidários como os órgãos públicos de comunicação social mostram propaganda a favor do candidato João Lourenço, como se não houvesse outros aspirantes à liderança do MPLA ou como se o processo de apresentação de candidaturas estivesse já encerrado.
Falar, por exemplo, que Lourenço tem apoio de todos militantes que desejam que ele continue à frente do partido é diferente, nesta fase, de dizer que ele será reeleito em 2022 como presidente da República.
Entendido dessa forma, no fundo, para a nata do MPLA, Venâncio não existe como pré—candidato, mas apenas como um animador que pretende dar corpo à pretensa existência de multiplicidade de candidaturas.
Se com o andar desse processo, não houver mais candidatos, para além de João Lourenço, o MPLA estará a dar um passo à retaguarda no que a democracia interna diz respeito.
Segundo o site Isto é Notícia, o militante e pré-candidato ao cadeirão máximo do MPLA António Venâncio alertou, esta quarta feira, 3, para o facto de “a democracia interna do MPLA estar a um passo para o fracasso”, acusando a organização do 8.º congresso do partido de estar a dificultar o trabalho dos militantes que apoiam a sua candidatura no acto de recolha de assinaturas em todo o país.
António Venâncio prometeu recorrer ao foro judicial, caso os seus direitos de militantes forem violados. “Toda esta pressão que estamos a sofrer constitui uma violação aos estatutos do partido, mas, nós estamos ancorados nos estatutos e vamos recorrer, caso estes venham a ser violados”, asseverou.
Para o engenheiro, a democracia dentro do seu partido “anda de pés trocados”, uma que “a teoria está mais avançada do que a prática”. O candidato afirma que os estatutos do partido dizem que as candidaturas múltiplas são legais, mas estranha que não se tenha verificado o mesmo no resto do país, onde até agora não houve múltiplas candidaturas. “Até ao momento, temos apenas uma candidatura formalizada, verificamos um retrocesso”, lamentou.











