MPLA e UNITA começam a ´curar as feridas’ da guerra
Terminou o mito sobre paradeiro dos corpos de dirigentes da UNITA mortos em Luanda, em 1992, quando eclodiu o conflito armado pós—eleitoral, suscitando desde aquela altura boatos sobre o real destino desses corpos, que, entretanto, esta segunda, começaram a ser devolvidos aos familiares, no âmbito do processo de reconciliação nacional, encetado pelo Executivo angolano.
Por: Miranda Chissanga

Os dirigentes da UNITA integrantes da Comissão Conjunta Político—Militar, em 1992, foram apanhados de surpresa, por elementos das forças da ordem e milícias, tendo alguns deles perdido a vida.
Instalaram—se as especulações à volta do destino que seria dado aos restos mortais de seus ente—queridos. O cenário era imprevisível.
Ninguém conjecturava a envergadura dos combates em Luanda, envolvendo grande parte da população, embora fosse assente que o objectivo era cada um dos contendores tirar partido da distracção do adversário, infligindo os maiores golpes possíveis.

Por isso, ao longo dos últimos 29 anos, o MPLA, supostamente para garantir a estabilidade, teve dificuldades de devolver os restos mortais dos dirigentes da UNITA, mortos em finais de Outubro e princípios de Novembro de 1992, na capital do país.
Sabia—se o tamanho do golpe que se havia infligido. Afinal, tratavam—se do Vice—presidente da UNITA, o Secretário—geral e outras figuras proeminentes, como Elias Salupeto Pena e Eliseu Chimbili, para além de dezenas de comandos especiais.
Embora a classe de generais e outros oficiais superiores, já incorporados nas Forças Armadas Angolanas tivesse sido poupada, aqueles que foram mortos trouxeram outra maneira do partido do Galo Negro olhar para o seu adversário de então.
Era o maior golpe que a UNITA sofreu, em 16 anos de guerra civil. O Presidente do partido, Jonas Malheiro Savimbi, gabou—se publicamente que, tendo derrotado os russos e cubanos, não seria a Polícia Anti—Motim a vergá—lo.
Luanda mostrou que as coisas não eram bem assim. Na UNITA, poucos acreditavam na possibilidade de tal acto acontecer.
Não sabendo a verdade sobre os seus mortos, circulavam, no seu seio, informações desencontradas sobre onde estariam os restos mortais de Jeremias Chitunda, Adolosi Mango Alicerces e Salupeto Pena.
Alguns acreditavam que, dadas as circunstâncias em que morreram, o Executivo desfez—se dos corpos, atirando—os ao mar. Outros acreditavam que a relação entre MPLA e UNITA era tão hostil que os corpos teriam sido atirados numa vala comum.
Também havia aqueles que diziam que nas imediações da Cadeia Central de Luanda, havia uma morgue clandestina, onde, provavelmente, estariam.
Os mais optimistas não excluíam a hipótese de os corpos de Chitunda, Salupeto e Chimbili estarem no Mausoléu. No meio de todas essas especulações, que incluíram também o alegado desaparecimento dos restos do seu líder, Jonas Malheiro Savimbi, a UNITA foi apanhada em contra—mão, porque não acreditava numa mudança de planos.
Ou seja, na era José Eduardo dos Santos, todas as vezes que se tocasse no assunto, alegava—se sempre a realização do funeral daquelas figuras, destaparia algumas feridas provocadas pela guerra. Aliás, dizia—se mesmo que as feridas da guerra ainda não estavam saradas.
No entanto, com a autorização da realização do funeral do General Ben—Ben, de Jonas Malheiro Savimbi e, agora, de outros responsáveis do partido, a UNITA não poupa palavras a elogiar a iniciativa de João Lourenço e do seu Executivo.
Hoje, não só familiares, mas também membros da direcção do Galo Negro dirigem palavras de satisfação e encorajamento pela iniciativa de passar certidões de óbitos a todos que pereceram durante o conflito armado.











