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'Mukwakwuiza' - Júlio Bessa vítima da realidade que o Executivo esconde há décadas

'Mukwakwuiza' - Júlio Bessa vítima da realidade que o Executivo esconde há décadas


Muito se disse à volta de Júlio Bessa, recentemente exonerado do cargo de governador da província do Kuando Kubango. Este Jornal preferiu olhar para a outra face da moeda onde constatou que, afinal, o tribalismo e regionalismo atrapalham qualquer governante que não seja daquela província, que se diz do progresso.

Por: Lito Dias

'Mukwakwuiza', palavra da língua nacional tchokwe que quer dizer, em português, os que não são da terra ou os forasteiros, passou a ser um fenómeno que faz morada não só na região leste do país, mas também, agora com maior intensidade, na província do Kuando Kubango.

Júlio Bessa, ao que tudo indica, é a recente vítima desse fenómeno, com o olhar cúmplice do seu partido, MPLA, que nada fez para travar a humilhação de que foi vítima, ao longo dos últimos dois meses.

Bessa foi acusado de desviar fundos do Estado, sob pretexto de ter pago uma dívida do Estado.

Na verdade, a gota de água foi ter assinado por despacho o pagamento de uma divida antiga à uma empresa local que prestou serviços em tempo de guerra, mais precisamente nas décadas 80 e 90.

Como ele não viveu, criou uma equipa técnica local que o traiu em cheio, confiante, assinou o pagamento da referida dívida.

A aludida equipa constituída por elementos que dominam o dossier há anos, não foi capaz de travar o governador a não autorizar o pagamento da mesma, apesar de ter havido dinheiro para o efeito.

Os governos anteriores, tanto de Eusébio de Brito, como de Higino Carneiro sabiam da dívida, mas nunca se comprometeram pagar por envolver grandes somas em dinheiro.

"Encontraram e deixaram a dívida que, a medida que o tempo passa, vai crescendo", enfatizou a nossa fonte, salientando que a equipa técnica é que avalia e dá provimento da sua liquidação.

BESSA E A CASCA DE BANANA

De tanto confiar e sem saber que era malquerido pelos seus principais colaboradores, por ser 'Mukwakwuiza', deu a responsabilidade de ajuizar a dívida a pessoas que viriam, pelos vistos, a ser os seus principais algozes, acusando-o através das redes sociais de ser alguém que desviou o erário.

Júlio Bessa sabia que alguma coisa não estava a correr bem, em função das revelações tornadas públicas a seu respeito.

"Tudo isso é calúnia; são ataques pessoais de pessoas que não sabem fazer jogo limpo e só querem atrapalhar aqueles que têm vontade de fazer bem as coisas", precisou Júlio Bessa.

Para o politólogo Armando Sunguete, o fenómeno 'Mukwakwiza' ainda predomina nessas regiões por haver poucos quadros qualificados, e os poucos que lá estão sentem-se inferiorizados quando o chefe do Executivo indica um governador que não seja da região.

"Mesmo Júlio Bessa nunca foi bem visto na província por não ser nato", concluiu, reconhecendo que travou "uma luta intestinal".

Recentemente, e como se o MPLA não soubesse dessa característica das terras do progresso, o seu Secretário-geral Pombolo justificou a não eleição do governador a primeiro secretário do partido, com dizeres segundo os quais queriam proceder como Luanda para que o governador tenha tempo suficiente para se ocupar da provincial e o primeiro secretário ocupar-se unicamente do partido.

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