Votar com a mão no ar: Congresso do MPLA vai mostrar quem é a favor ou contra o Presidente
Para democratizar o país implica, acima de tudo, ser-se democrata. Pelos vistos, é este princípio que o MPLA vai seguir, ao pretender impingir aos seus militantes o voto aberto. Ou seja, em vez de secreto, pôr os delegados a levantar a mão na hora de eleger o presidente, o que pode acarretar consequências positivas e negativas.
Por: Lito Dias
O que consta é que o MPLA elegia o seu presidente, em voto secreto o que, por si só, representava um passo em frente rumo à democratização interna. No entanto, ao pretender mudar de modelo de eleição, tal como se ventila na imprensa, não deixa de ser um gesto Democrático, mas pode ser "uma armadilha", que vai expôr aqueles que não desejam João Lourenço na liderança do MPLA.
Na verdade, os partidos ganham muito se preferirem o voto secreto que confere mais liberdade e segurança no militante votante. Ninguém saberá quem votou a favor e quem votou contra e quem se absteve.
Não é por acaso que, nas democracias, sói dizer -se que o voto deve ser livre e secreto. Na UNITA, pelo menos, deu para perceber ainda melhor que esta atitude de voto aberto pode inviabilizar e até manchar o processo de lisura democrática, ao ponto de o Tribunal Constitucional dar razão a quem considere coação tal modelo de votação.
Foi isso que aconteceu e, apercebendo-se disso, e porque já corria um processo no Tribunal, o partido do Galo Negro mudou o esquema e deu maior credibilidade ao processo, optando pelo voto secreto.
Na votação sobre a data da realização do congresso, alguns militantes considerarem ter havido coação, tendo por isso, recorrido ao tribunal com uma providência cautelar. Já se sabia quem votou a favor e contra a realização do congresso e quem se absteve, o que criou um mal-estar entre militantes.
Quando a votação foi repetida, claramente, os resultados foram diferentes. Para além de os votos contra aumentarem, no final de tudo, ninguém sabia quem votou em que.
Os opositores à realização do congresso ficaram ocultos. É este lado nefasto do voto aberto que, para já, não devia predominar do seio dos "camaradas" que têm a oportunidade de mostrar a quantas anda a democracia interna.











