Greve na saúde: Médicos denunciam contratação de profissionais cubanos em substituição dos nacionais
A greve dos profissionais de saúde iniciada no dia 6 do mês em curso, parece não ter fim à vista. Em causa está a não satisfação do caderno reivindicativo apresentado pelo Sindicato Nacional dos Médicos de Angola (SNMEA), e o não reenquadramento do presidente do SNMEA, Adriano Manuel.
Por: Osvaldo de Nascimento
A greve que segue pela segunda semana consecutiva, tem criado vários constrangimentos para aqueles que procuram cuidados médicos.
O braço de ferro entre a entidade patronal os homens da seringa, resulta de uma assembleia geral da classe realizada recentemente em formato digital, em que reiteraram o pedido de reenquadramento do presidente do Sindicato, ou a sua colocação numa unidade hospitalar pública a sua escolha.
Em entrevista a LAC, o Secretário-Geral do SINMEA, Pedro da Rosa disse que na assembleia recentemente realizada, estiveram presentes mais de 300 médicos, e em plataforma zoom estiveram mais de 3 mil.
“O que está a acontecer com o Dr Adriano pode acontecer com qualquer um dos dirigentes do Sindicato, os médicos ainda trabalham com muitas dificuldades, e como exigem uma maior oferta do seu atendimento, querem saber quando é que os materiais vão ser colocados nos hospitais. Quanto aos pontos 5, 6 e 7 relacionados com subsídios e salários, o profissional fez saber que os médicos exigem um horizonte temporal para que o ministério apresente uma nova tabela salarial para os médicos, e o pagamento dos subsídios que estão legislados.
Serviços mínimos acautelados
Pedro da Rosa, garantiu que os serviços mínimos em todos os hospitais do país estão assegurados, estando a funcionar os serviços de banco de urgência, cuidados intensivos e os serviços de hemodiálise.
Ministério da Saúde está a contratar médicos cubanos em substituição dos que se encontram em greve
De acordo com o Secretário Geral do SINMEA, o Ministério tutelado pela ministra Lutucuta está a substituir os médicos grevistas por médicos vindos de cuba e médicos cubanos, numa violação a Lei nº 23/91 sobre a Lei da greve, que proíbe a substituição de médicos durante a greve.

“Por isso os médicos em todo país decidiram fazer uma vigília, que começa na quarta-feira, 15, onde em todas as unidades do nosso país, os médicos vão pernoitar como medida de protesto da violação do Ministério da Saúde”.
Ministra diz que contratação de novos médicos é para salvar vidas
Em conferência de imprensa na tarde de ontem, segunda-feira, 13, a Ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta explicou que às contratações de médicos, em substituição dos grevistas, está plasmada na lei, por se tratar do bem vida.
“É importante que fica aqui claro, que não é a primeira vez que o sector da saúde recorre aos outros profissionais dos subsistemas… mas ninguém vai tirar o lugar de ninguém. Os serviços têm que ser prestados e o quadro do pessoal está a ser aumentado gradualmente, mas não podemos deixar a nossa população sem assistência mínima, e é o que estes profissionais estão a fazer”. Por esta razão, diz a ministra, “os nossos colegas que estão em greve não devem ficar milindrados, mas que o Ministério da Saúde vai cumprir com todas as prorrogativas que norteiam a lei da greve. Se o médico não foi trabalhar tem falta e tem as implicações das faltas”, avisou.
O processo disciplinar contra o líder sindical dos médicos, foi movido por este denunciar à imprensa a morte de 19 crianças de um total de 24 no banco de urgência do Hospital Pediátrico David Bernardino, onde trabalhava, tendo sido transferido pelo seu director para o departamento dos Recursos Humanos do Ministério da Saúde, decisão justificada com a necessidade de mobilidade de quadros.











