João Lourenço diz que Frente Patriótica Unida é sinal de fraqueza
Na sua segunda entrevista colectiva, embora está num formato atípico, o Presidente da República, João Lourenço, falou do país e, também, da política político-partidária, tendo em vista as eleições gerais previstas para Agosto próximo.
Por: Lito Dias
É aí onde ele, confrontado com a pergunta do jornalista, referiu-se à oposição ao dizer que se o adversário cria a Frente Patriótica Unida é porque nas eleições anteriores estavam melhor.
"Qualquer concorrente vê nas eleições uma oportunidade para ganhar'', frisou, mas diz que não é tudo. No entanto, acrescentou, a oportunidade de ganhar é igual para todos os jogadores, e "o povo eleitor não é burro nenhum e não vai entregar a vitória a alguém só porque quer".
João Lourenço olha para o passado e diz que tal como no teatro das operações militares, também em Política tem havido mal avaliação do teatro das operações, e acredita que mesmo nessas eleições há má avaliação, quando a oposição diz ter o controlo da situação.
O PR não acredita que "sensibilizar jovens para actos de vandalismos é sinal de vitória". Relativamente à abertura democrática, com ênfase para liberdade de expressão, João Lourenço salientou que a transmissão dos debates parlamentares, e a expansão do sinal da Rádio Ecclesia são sinais de que houve avanços significativos nesse sentido.
Deseja que se coloque travão na ideia segundo a qual há perseguição, nos crimes de peculato ou corrupção. "A justiça não pode estar preocupada com de quem é filho de quem, mas com quem cometeu ou não o crime", salientou.
No domínio da economia, referiu que a economia angolana sofreu bastante com dois golpes "bastante duros", um deles é a baixa do preço do petróleo, anos a fio. Por outro lado, está a pandemia da Covid-19 que assolou a economia mundial, em várias frentes. Ainda assim, muita coisa foi feita, segundo o Presidente João Lourenço.
"Mesmo assim, eu considero que nos portamos bem, encontramos uma dívida pública muito grande, mas Angola não foi declarada país em falta", disse acrescentando que houve gente que pensava que o acordo com FMI iria piorar a situação, mas hoje "estamos a ser premiados por assinar e cumprir a risca o acordo celebrado com o FMI".
As perspectivas para o crescimento angolano são boas, admitindo não crescer tanto, mas o importante, para ele, é que cresça. Diversificação da economia, e a atracção do investimento externo são factores que abrem novas perspectivas.
Interrogado se o acordo com FMI abre novas perspectivas no cumprimento de algumas promessas eleitorais, sobretudo de criação de novos postos de empregos, no sector da saúde e educação, foi peremptório em dizer que não se trata de promessa, como tal, porque isso já está a acontecer, e lembrou que já autorizou a admissão de profissionais não só da saúde, mas também da educação.
Enumerou vários projectos em curso e obras a serem erguidas um pouco em todo país, o que, para chefe do Executivo, é bastante positivo. Quanto às reivindicações que têm lugar em alguns sectores, onde aparentemente se tem mais atenção no betão armado, tal como aconteceu na recente vista ao Hospital Américo Boavida, onde foi recebido com cartazes reivindicativos, o Chefe de Estado deixou alguns recados: Qualquer coisa correu mal, e as obras não começaram e o Américo Boavida está pior que há três anos.
Deixou a garantia de que dentro de pouco tempo, não superior a três anos, as obras estarão terminadas. "Tem de haver uma cautela no estudo para ver se há condições de aumento salarial, para não serem falsas promessas. Não vale a pena prometer sem olharmos para as condições", vincou, reconhecendo que o poder de compra depende do salário.











