Pré-campanha: UNITA e MPLA ensaiam novos actores e novas estratégias
Como é da praxe, cabe ao Presidente da República convocar eleições e os angolanos já sabem quando elas terão lugar, tendo em conta o novo figurino político. Mas quanto à pré-campanha, cada força política sabe quando deve entrar em campo, sendo que os grandes (MPLA e UNITA), os principais contendores, apresentam-se já com novos rostos e principalmente com nova estratégia, se comparados às eleições anteriores.
Por: Lito Dias
Não constitui novidade que a política angolana continua bipolarizada, com o MPLA (partido no poder) e a UNITA (maior partido na oposição) a serem os grandes protagonistas e, se convenha chamar, os principais adversários políticos. É sobre quem gravitam todas as boas e más práticas em época eleitoral.
De 1992 a 2017, verificou-se um acirrar de ânimos o que leva a vaticinar que, mesmo em 2022, não se deverá fugir muito daquele discurso que, desrespeitando o eleitorado, incita o ódio e, até, a violência.
Para se evitar essa tensão, o trabalho tem que ser feito agora, para a classe política ensaiar um discurso mais refinado e ajustado rigorosamente às boas práticas.
Esta fase é a tal, em que quase todos políticos usam irresponsavelmente o povo: levando-o em camiões, como se de animais se tratasse, expô-lo ao calor e frio, mas no dia a seguir às eleições, apercebe-se que nada mudou e a vida continua, com os mesmos problemas.
O que pode mudar, em 2022, é que uma boa parte de políticos, que historicamente marcaram as eleições de 1992, 2008, 2012 e 2018 já estão reformados e falecidos, e os que continuam na vida política activa já não a fazem com energia e engenho que lhes eram característicos.
O QUE MUDA NO MPLA?
O partido no poder, em época eleitoral, habituou a população a protagonizar acções de vulto, usando todos meios disponíveis: desde materiais, técnicos até, inclusivamente, humanos.
Nessa viagem rumo às eleições, o MPLA, invariavelmente, com os meios que dispõe, consegue 'angariar' algumas figuras proeminentes da oposição, com realce da UNITA, não se sabe a troca de que, para reforçar a sua campanha eleitoral.
Desde o calar das armas, em 20O2, todas as eleições realizadas contaram com cenários de políticos de proa da UNITA que passaram para o MPLA em época eleitoral: Jorge Valentim, Aniceto Hanukwaya, Elsa Luvualo e Fernando Heitor, estes dois últimos a ensaiarem reentrada no Galo Negro.
Tem-se um Advogado, chamado David Mendes, deputado eleito pela lista da UNITA, que hoje, está a provocar mais 'danos' a este partido, do que qualquer outra figura do partido no poder, sendo dado como aceite o seu namoro com o MPLA, como apurou este jornal.
Ao nível do partido, as figuras de Paulo Pombolo, Marcy Lopes, Adão de Almeida, Bento Bento, Esteves Hilário, Ernesto Muangala, Fernando Miala, Celso Malavoloneke, Betiko, Joana Tomás e o primeiro Secretário da JMPLA poderão ser decisivos na estratégia eleitoral, juntamente com rostos novos no Comité Central, que desejam mostrar a folha de serviço.
O discurso político do MPLA é tido por alguns analistas pouco simpático, sobretudo pelo facto de pretender vitimizar-se e atribuir o incumprimento das promessas eleitorais a outros actores. A isso associa-se ao facto de o partido dos camaradas estar a ser acusado de partidarizar as instituições, mormente o Tribunal Constitucional, a Segurança do Estado e os órgãos públicos de comunicação social.
A manter-se essa acusação, nada restará se não trabalhar no sentido de dissipar motivos que levem a tais desconfianças.
O QUE MUDOU NA UNITA?
O maior partido na oposição desde 1992, por tudo que se diga, ainda não sabe como deverá se apresentar, definitivamente, nas eleições de Agosto Próximo.
Embora o rascunho esteja feito, para além da criação da Frente Patriótica Unida (FPU), que deve entrar em actividade já em Fevereiro, em todo país, nada se sabe sobre o team que vai assumir o comando da campanha eleitoral.
Em linhas gerais, a UNITA que está habituada a trabalhar com seus militantes tradicionais, espera ver-se abraçada com membros da sociedade civil, muitos dos quais, mesmo não sendo deste partido, vêm na UNITA como líder da alternância política em Angola. Alguns movimentos sociais juvenis também alinham no mesmo diapasão.
Este movimento, a par da sua dissociação da figura de principal actor do conflito armado, como apregoavam os seus adversários, pode ser algo novo com que se vai separar nas eleições.
O que tinha de ser bem equacionada é a relação com esses movimentos, sob pena deste partido ser associado permanentemente aos actos de vandalismo que ocorrem um pouco por Angola.
A entrada de Adalberto Costa Júnior na liderança da UNITA fez que muitos cidadãos se juntassem a ele, por não ser um protagonista directo dos longos anos de guerra, segundo alguns jovens ouvidos pela nossa reportagem.
Mas reconhecem haver uma "desordem", onde cada militante quando lhe apetece, "sai de casa para o Tribunal Constitucional para impugnar o congresso realizado pela maioria". Ignorando o facto de que a divisão corrói, consideram que a iminente expulsão José Pedro Kachiungo, José Eduardo, e outros jovens que violaram os estatutos do partido, é uma medida que serve de exemplo para a juventude.
Para além de vir a contar com membros oriundos de outras organizações que compõem a FPU, e com a ausência José Pedro Kachiungo, o Galo Negro poderá alinhar na liderança da sua campanha também jovens com experiência comprovada, como são os casos de Liberty Tchiaka, Adriano Sapinala, Nelito Ekuikui, Navita Ngolo, Alcino Kuvalela, Kakepa, Kaunda e Mardanez Kalunga.
Há também informações que circulam em ambiente restrito que dão conta que os políticos suspensos outros expulsos recentemente, pretendem tomar uma posição contra a UNITA sem descartar a possibilidade de a sua afronta contra ACJ ser feita dentro do MPLA já como militantes.











