Greve dos Magistrados - PGR diz que já fez muito, Sindicato afirma que nível de mendicidade dos filiados atingiu o pico
Depois de o Sindicato Nacional dos Magistrados do Ministério Público ter ameaçado decretar greve a 22 de Março corrente, por haver incumprimento da entidade patronal, no melhoramento das suas condições de vida, a Procuradoria de Geral da República (PGR), considera não haver motivos para a grave, já que cedeu em muitos pontos constantes do caderno reivindicativo.
Por: Lito Dias
De acordo com um documento a que o NA MIRA DO CRIME teve acesso, a direcção da PGR tem feito, nos últimos tempos, um esforço muito grande, na melhoria das condições de trabalho da instituição.
"A título de exemplo, temos a aquisição de viaturas para todos os Magistrados Públicos, que estão a ser distribuídas de forma gradual a nível nacional", refere, dando a conhecer, também, que, neste preciso momento, estão a ser matriculadas novas viaturas para serem distribuídas.
A fonte da PGR garante que foram realizados vários concursos para a promoção das diferentes categorias existentes, e que todas províncias receberam viaturas de apoio à instituição e foram distribuídos computadores para reforçarem os já existentes.
"Portanto, não faz sentido uma suposta paralisação dos serviços que a Direcção do sindicato pretende realizar; seria uma grande irresponsabilidade e falta de sentido de Estado", assegurou, apelando, por este motivo, os magistrados a não aderirem à pretensa greve.
Segundo a nossa fonte, um documento de desencorajamento foi enviado a todas regiões do país.
Magistrados querem mais...
Ouvida por este jornal, uma fonte do sindicato franziu os sobrolhos ao olhar para o que a PGR diz ter resolvido.
"É uma gota de água no oceano", frisou.
"Não ter casas de banho, não ter água para beber e lavar às mãos, não ter uma viatura própria para ir trabalhar e estar no mesmo Táxi com o arguido, ter que andar de moto-táxi, bem como um Magistrado correr risco de vida por não ter segurança, bem como ouvir detidos e não ter um seguro de saúde para proteger os seus dependentes, porque corre o risco de levar doenças para casa e o salário não chega para suprir necessidades básicas é o que considera "humilhante".
"O Estado de mendicidade de um Magistrado já atingiu o nível em que se encontra, por exemplo, na região centro, sendo um dos piores, sem que as regalias determinadas por lei sejam dadas pelo Executivo", classificou, para depois exigir um Estatuto Remuneratório que dê a devida dignidade à classe.
"Hoje, corremos o risco de perder a vida e os nossos familiares ficarem desamparados, porque até devido às exigências, não há tempo para estar com a família", denunciou, salientando que se são fiscais da legalidade, os magistrados não vão permitir que lhes retirem direitos adquiridos pelo Estado que representam.
"Este mesmo Estado que, hoje, nos deixa numa condição de fragilidade e vulnerabilidade", disse, defendendo que uma paralisação dos serviços só vai recuperar o prestígio e o respeito que um Magistrado do Ministério Público merece.











