Há 12 dias para o fim do registo eleitoral: BUAP-s continuam a registar enchentes
A maioria das localidades do país continuam a registar afluência considerável da população aos Balcões Únicos de Atendimento ao Público (BUAP). Conforme as filas aumentaram, até parece estar-se no início da actualização, quando, na realidade, faltam pouco menos de duas semanas para expirar o prazo estipulado pelo Executivo.
Por: Lito Dias
O Executivo, através do Ministério da Administração do Território e Reforma do Estado, vê este cenário com outros olhos. Ou seja, a situação está sob controlo, apesar das muitas queixas sobre o processo. Entendido desta maneira, só pode significar estratégia para, de um lado, impedir que as pessoas acordem a madrugada para ir aos locais do registo, mas, por outro, dizer que o prazo não será prorrogado, e forçar as pessoas a não esperarem fazê-lo no último dia.
Hoje, não se coloca exactamente a questão da morosidade dos técnicos que efectuam o registo, nem a falta de equipamento, mas sim o número de postos de registo que são exíguos em todo o país. Não são apenas os partidos da oposição que reclamam, mas também as administrações municipais que pedem que o prazo seja prorrogado, sob pena de uma parte considerável da população ficar de fora do registo.
O dia 31 de Março é a data em que termina o processo do registo eleitoral oficioso para os angolanos que residem no país e no estrangeiro. Agora que faltam poucos dias para o fim, as enchentes multiplicaram-se nos Balcões Únicos de Atendimento Público.
Mais do que culpar os cidadãos por tais enchentes, o Executivo devia reflectir, enquanto cedo, sobre o que fazer para que todos os cidadãos eleitores actualizem o seu registo.
O titular do Ministério da Administração do Território e Reforma do Estado, Marcy Lopes culpa os cidadãos por deixarem tudo para a última hora. Em traços gerais, Marcy Lopes diz que não há quaisquer irregularidades no processo, e os poucos constrangimentos estarão a ser resolvidos.
Embora já tenha posta de parte a questão de prolongar o registo eleitoral, como tem sido pedido por vários sectores, o Ministro considera que "se começarmos a dizer que o prazo vai ser estendido, as pessoas deixam de ir ao balcão".
Coerção nos partidos políticos
Apercebendo-se da importância do registo eleitoral oficioso, apesar de desconfianças que ainda persistem, algumas forças políticas com vocação de poder, adoptaram duras medidas, no sentido de 'empurrarem' os seus militantes aos postos de registo.
Em alguns municípios do Huambo e Bié, por exemplo, o MPLA tem concentrado os seus membros em comités e dai partirem para os postos de registo. Segundo a nossa fonte, o processo de sensibilização tem resultado, mas "houve necessidade de se passar de casa em casa e forçar as pessoas a actualizarem o seu registo".
Na UNITA, por exemplo, os seus membros estão a ser obrigados a afluírem aos BUAP, em todo o país, sob pena de não ascenderem aos cargos de direcção a nível de base e intermédio.
Diz-se, intramuros, que quem não tiver o cartão de munícipe não terá acesso ao emprego, a escolarização e a outros serviços. "Isso tem estado a resultar", garante a fonte, que revela que maioria dos militantes não considerava a actualização do registo um acto sério. "Alguns até já chegaram a dizer que não actualizariam o seu registo porque, o seu voto já vai ser roubado", acusou.











