Finalmente o tête-à-tête – JLO e ACJ tentam hoje descobrir caminhos para aliviar 'crise de relação'
Se dependesse do Presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, o encontro entre ele e o Chefe de Estado já teria acontecido pouco depois de 2019. No entanto, não foi o caso, apesar de ACJ ter manifestado tal desejo, com João Lourenço a beneficiar-se do silêncio.
Por: Lito Dias
Atendendo a dizeres de que tudo tem o seu tempo, talvez tenha chegado a altura do Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, estabelecer essa ponte de diálogo com o líder da UNITA.
Nos dias que correm quem fala do partido do Galo Negro está a falar da oposição, no seu todo.
À saída da cerimónia de tomada de posse como membro do Conselho da República, a par de Nimi-a-Nsimbi, Presidente da FNLA, e Jorge Alicerces Valentim, o presidente da UNITA revelou que tinha sido convidado por João Lourenço para um encontro nesta sexta-feira.
Este terá sido um assunto mediático, nos últimos tempos, quando se apregoou a necessidade de as entidades políticas dialogarem para se debelar os embaraços que vinham minando sobremaneira a estabilidade política, a paz social e, inclusive, o Estado de Direito Democrático.
Muitos cenários menos bons vividos nos últimos dias, na óptica da igreja, principalmente a católica, não teriam acontecido se o diálogo fosse estabelecido entre quem governa e quem aspirantes ao poder.
Sim, vai acontecer o tão esperado, comentado e inimaginável encontro entre os dois políticos cuja ausência de aproximação fez correr muita tinta.
Quem é o interessado?
Quem se beneficia com esse encontro é, sem dúvidas, Adalberto Costa Júnior que ao longo dos últimos três anos desejou como também trabalhou vãmente que tal aproximação acontecesse, ainda que as suas ideias não fossem tidas nem achadas.
Não tendo sido possível, "encheu o saco" e começou a criar fontes alternativas, com a igreja católica na crista da onda.
Os bispos, nesse enredo, seriam usados para aproximar a oposição e o Executivo. Afinal, muita coisa tinha de se resolver através do "diálogo profundo e sincero".
Por falta de diálogo, não poucas vezes, a acção da igreja foi confundida com a da oposição.
Por falta de diálogo, houve irritante troca de mimos entre políticos e católicos e outros cristãos de segunda linha.
Olhando para aquilo que foram os assuntos dominantes da política angolana, na agenda da oposição, certamente que Adalberto vai abordar como chefe de Estado assuntos ligados à paz social, ao elevado nível de vida dos angolanos, à suposta partidarização das instituições do Estado, à exclusão de que é vítima na imprensa estatal.
Espera-se que ACJ trate com JLo sobre a necessidade de se realizarem eleições livres e justas.
Nesse particular, vai refutar a presença da INDRA ou outras por esta contratadas para gestão do processo eleitoral.
Assuntos como intolerância política, imparcialidade dos tribunais e falta de confiança entre políticos deverão, certamente, dominar o encontro.
Quem sai a ganhar?
Com superpoderes de movimentar todos elementos do xadrez, e tal como disse ao NA MIRA DO CRIME, um cidadão, "João Lourenço vai ouvir as preocupações de ACJ, mas não é obrigado acatá-las, já que esse encontro acontece justamente numa fase em que os ânimos já estão exaltados.
Para ele, o tão esperado encontro tinha de acontecer há mais tempo, para prevenir convulsões que sucedem sempre na fase pré - eleitoral.
Seja como for, adianta, o facto de Lourenço abrir a mão para o diálogo já é bom e, uma vez bem trabalhado este gesto, pode ajudar a branquear a sua imagem. Aliás, como sói dizer-se é melhor tarde do que nunca.











