MPLA e UNITA com posicionamentos diferentes quanto aos ganhos da Paz
Por ocasião do vigésimo aniversário do dia da paz e reconciliação nacional, os dois maiores partidos angolanos fazem balanços opostos, o que, para já, não representa novidade, mas à atenção de todos por se reclamar coisas básicas que deviam ser ultrapassadas ou minimizadas em 20 anos.
Por: Lito Dias
Em nota do seu Bureau Político, o MPLA apela ao envolvimento abnegado de todos os angolanos no processo de reforço da cidadania e da construção de uma sociedade cada vez mais desenvolvida, democrática e inclusiva, garantindo a Soberania, a integridade territorial do País e a segurança dos cidadãos, com vista a defesa das conquistas duramente alcançadas, a custa do sangue derramado por muitos dos melhores filhos de Angola.
"O MPLA, Partido que melhor sabe interpretar as aspirações do povo angolano, mantém o seu compromisso a favor da paz e da reconciliação nacional, reflectido fundamentalmente nas medidas de políticas respeitantes ao reforço das bases da democratização da Sociedade Civil, potenciando a sua crescente participação no fortalecimento das estruturas familiares, na definição de políticas públicas, na reforma do Estado, ou ainda na promoção de valores culturais, patrióticos e de solidariedade entre os jovens", garante.
O partido no poder diz estar atento ao importante papel da Sociedade Civil. Por isso, o MPLA reitera "a premência de se aprimorar os esforços conjuntos tendentes a promover a unidade nacional e a cultura da paz, assegurando uma ampla divulgação e consciencialização sobre factos e feitos históricos relevantes à memória colectiva do povo e fonte de inspiração para a educação patriótica da juventude e gerações vindouras, apostando numa educação potenciadora de um capital humano capaz de enfrentar os desafios do crescimento económico e da diversificação produtiva".
UNITA evoca retrocessos
Num comunicado alusivo ao 04 de Abril, o Secretariado Executivo do Comité Permanente da UNITA sublinha que, depois de falhados os acordos de Lusaka, o Memorando de Entendimento Complementar do Luena abria as melhores expectativas para os angolanos, em todos os domínios.
"Volvidos 20 anos, o balanço é mitigado, pois os angolanos vivem uma grave crise económico-financeira e social, caracterizada, entre outros, por retrocesso dos indicadores do Estado Democrático e de Direito; aumento da pobreza e do índice de desemprego com ênfase na juventude em idade activa", relata, acrescentando que também nota—se a subida vertiginosa dos preços dos produtos da cesta básica; corrupção endémica e sistémica; a degradação dos valores morais e cívicos e o abuso e violação dos direitos humanos.
"O Comité Permanente da Comissão Política da UNITA, em nome da verdade, cabe-lhe, hoje e aqui, afirmar que cumpriu cabalmente o que lhe competia no quadro dos Acordos de Paz e que a transformou completamente em partido político democrático, à luz do seu manifesto fundante, da constituição, e da lei dos partidos, e a sua prática", afirmou.
Para terminar, o Comité Permanente da Comissão Política da UNITA diz que vai continuar a dialogar com o Governo para que este cumpra com os pendentes dos Acordos de Paz, tais como: a inserção social dos ex-combatentes e a devolução do seu património material.
No entanto, face aos desafios nacionais e internacionais, o Comité Permanente da Comissão Política assume felicitar o seu presidente, ACJ, pela sua crença no diálogo e pelas suas inúmeras iniciativas que culminaram no encontro com Sua Excia, Presidente da República, João Lourenço, no dia 1 de Abril corrente, e encoraja-lhe a persistir nesta via "absolutamente salutar e exemplar para os cidadãos e as instituições do nosso país".











