"João Lourenço deve escutar as vozes credíveis de Cabinda", defende advogado de Direitos Humanos
Arão Bula Tempo, advogado de Direitos Humanos em Cabinda, espera que, desta vez, na sua deslocação ao enclave, que acontece nesta quinta-feira, 21, o Presidente da República, João Lourenço, consiga ouvir as vozes credíveis para melhor ser informado sobre a verdadeira situação prevalecente na província.
Por: Lito Dias (Em Cabinda)
Até o final da tarde desta quarta-feira, os activistas cívicos, no enclave, não foram informados sobre um eventual encontro com o Chefe de Estado. "Não fomos tidos nem achados, porque tudo se passa no quadro do partido e na conservação dos ideais do MPLA", acusou.
O advogado considera que João Lourenço, na qualidade de Presidente da República, ainda continua a agir como no reinado de José Eduardo dos Santos, o que denota cumplicidade com aqueles que não querem ver os problemas do país resolvidos.
"Se assim não fosse, todos seriam convidados", conjectura, referindo que a selecção é feita no quadro dos serviços de inteligência ligados ao mesmo partido.
Interrogado sobre o quadro que apresentaria a João Lourenço sobre Cabinda, Arão Bula Tempo começou por dizer que os Direitos Humanos na província são silenciados de tal forma que estão vedados todos os direitos fundamentais.
"Nós assistimos em Cabinda que por uma simples manifestação de opinião, a pessoa é detida e conduzida à investigação criminal escusada de crimes contra a Segurança de Estado", precisou, acrescentando que, hoje, há activistas políticos que foram detidos há mais de cinco meses, pelo facto de exprimirem a vontade de que, com os confrontos militares e com a instabilidade sócio—política, é preciso dialogar.
"Estamos assistindo actualmente confrontos militares entre as Forças Armadas Angolanas e as Forças independentistas, e detenções arbitrárias de alguns aldeões que, hoje, se encontram nas unidades militares, no Bucuzau", revelou, considerando esses dados provas de que há 46, os Direitos Humanos nunca foram respeitados.
O advogado julga que o desfecho do caso dos activistas detidos vai depender da vontade política do partido no poder; se não houver essa vontade no partido e na governação, eles serão condenados.
"Mesmo os próprios tribunais são reféns do partido; não há aquela independência que deveríamos esperar", asseverou.
"Angola, um Estado Ditatorial"
Arão Bula sublinhou que quando no país falta liberdade e vontade de conceder ao cidadão os direitos que lhe assistem, previstos e consagrados na Constituição, "este país, ou este governo é ditatorial". Quando esses direitos são coarctados, a pessoa deixa de ser cidadão.
"É preciso dizer as pessoas que para ser cidadão é necessário o exercício da cidadania, respeitar e ouvir o cidadão, protegê—lo de qualquer maneira, mas hoje, vemos que o cidadão morre de fome e não exprime a sua opinião", observou.











