Situação financeira leva Estado a adiar funerais "dignos" para dirigentes da UNITA
À semelhança do que ocorreu com os restos mortais do ex-líder fundador da UNITA, Jonas Savimbi, e do general Arlindo Chenda Pena “Ben Ben”, ex-vice-chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas (FAA), no ano em curso, os demais ex-dirigentes deste partido falecidos no período de guerra já não serão sepultados “condignamente” em 2020 como se previa.
Trata-se dos restos mortais do vice-presidente António Dembo, falecido nas matas do Moxico em 2002, e de outros dirigentes mortos nos confrontos pós-eleitorais de 1992, em Luanda, Jeremias Chitunda, Mango Alicerce, Salupeto Pena e Eliseu Chimbili. Uma fonte deste partido avançou a este jornal que, dada a situação económico-financeira que o país está a atravessar, desaconselha- se prosseguir com o sepultamento destes ex-dirigentes da UNITA, mortos em circunstâncias diferentes, durante o conflito armado que o país viveu.
A fonte avançou que, para o enterro condigno destas figuras, a UNITA contaria com o apoio do Governo, no quadro do processo de reconciliação nacional, mas a situação financeira afigura-se difícil, apesar da pressão familiar. As esposas e os filhos dos dirigentes da UNITA falecidos em Luanda, de acordo com a fonte, são os que mais insistem junto da direccão desta força política para o sepultamento dos seus familiares, de cujos corpos se desconhece o paradeiro, apesar de alegadamente estarem sob custódia do Governo.
Enterro condigno
A melhor forma que pretendem para homenagear os seus entes queridos, de acordo com a fonte, é vê-los sepultados condignamente nas suas terras de origem e, à moda de cada família, e todos os anos fariam uma romagem às suas campas, num dia como o de ontem, 2 de Novembro, dedicado aos finados. É o que defende Isaías “Jeff” Dembo, um dos filhos de António Dembo, antigo vice-presidente da UNITA, falecido dias depois da morte de Jonas Savimbi, a 22 de Fevereiro de 2002, no Moxico.
Em declarações, aa OPAÍS, informou que passados seis anos após o falecimento do seu progenitor, por doença, nas matas, a família iniciou um processo de diligências em 2008 para a localização dos restos mortais do seu progenitor, com o apoio de algumas pessoas com as quais viveu os últimos dias, mas sem sucesso. Essa equipa era composta por 11 indivíduos, e a ideia, segundo Jeff Dembo, era de localizar a campa rasa onde estão sepultados os restos mortais, entre os rios Lulue e Lumai, na comuna do Luvuei, município dos Bundas.
Depois de cinco dias ininterruptos sem nada terem encontrado, devido à sinuosidade da região onde estão enterrados provisoriamente, a comitiva regressou à procedência, aguardando novas diligências, cujo trabalho será já feito em conjunto com a direcção da UNITA e o Governo. Decorridos 17 anos, a família de António Dembo aguarda pacientemente que ao seu ente querido seja consagrado um funeral condigno, com um processo de exumação e inumação que será feito pela mesma equipa que cuidou das ossadas de Jonas Savimbi, segundo o seu filho. Uma vez consumado este processo, seria o maior consolo, não só para os filhos e esposa, mas sobretudo para a mãe do próprio António Dembo, uma anciã com 92 anos, disse Jeffo Dembo. OPAIS
Reforçou que o desejo da família é que seja enterrado no município do Nambuangongo, província do Bengo, sua terra natal. Refira-se que, a pedido da família de Jonas Savimbi ao ex- Presidente da República, José Eduardo dos Santos, cujo processo foi continuado pelo seu sucessor e actual Chefe de Estado, João Lourenço, o Governo deu o apoio necessário para a inumação e exumação das ossadas do antigo líder da UNITA, tendo sido enterrado na aldeia da Lopitanga (Andulo) no dia 1 de Junho. Em Setembro do ano passado, foi enterrado, na mesma localidade, o seu sobrinho general Ben Ben, falecido em Outubro de 1998 na África do Sul. OPAIS











