O “homem da mudança” em fim de mandato - Na Mira do Crime
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O “homem da mudança” em fim de mandato

O “homem da mudança” em fim de mandato


A cerca de dois meses das próximas eleições gerais, marcadas para Agosto do corrente ano, João Lourenço, "o homem da mudança", tenta mostrar à eficácia das políticas da sua governação

Por: Alves Pereira

Análises internacionais referem que a pressão sobre os ombros do Presidente João Lourenço, em vez de ir diminuindo com o tempo e com a experiência que foi adquirindo, só aumentou, por vários factores como a situação extremamente difícil em que se encontrava o país quando tomou posse, em meio a crises económicas e de saúde, que acabou por despoletar um cenário de descontentamento social sem precedentes e tensões políticas acirradas dentro do seu próprio partido, o MPLA.

Como se não bastasse, surgiu a pandemia da Covid-19 que, por sua vez, elevou o leque de problemas enfrentados pelo Executivo angolano.

Faltando cerca de dois meses para a realização das eleições gerais, o sucessor de José Eduardo dos Santos, eleito em 2017 com a promessa de ser o “homem da mudança”, tenta mostrar à eficácia das suas políticas, apresentando resultados obtidos ao longo do tempo de governação.

No fim do seu mandato, o primeiro, os analistas apontam que João Lourenço teve de lidar com situações extremamente difíceis, como por exemplo, as sucessivas recessões, com os indicadores económicos em vermelho.

 Angola, o segundo produtor de petróleo do continente africano, atrás da Nigéria, registou anos consecutivos de recessão grave derivada da crise causada pela queda no preço do “ouro negro” desde meados de 2014, a que se aliou o deficiente funcionamento de outros sectores vitais de economia de um país, em prol da tão propalada “diversificação da economia”, mas que tem sido mais teoria do que prática.

Para complicar mais a já de si complicada situação do país, surgiu a pandemia de Covid-19. Como resultado, a inflação, elevada quanto baste, continuou a disparar e a moeda nacional, o Kwanza, foi somando depreciações, o desemprego actualmente ronda, de acordo com dados que circulam, os 60%, e a dívida pública aumentou para 130% do PIB no final de 2021.

As análises referem ainda que, as políticas do mandato de João Lourenço, a estratégia de ruptura, personificada pela cruzada anticorrupção, nalguns pontos fracassaram, apesar de ter permitido ‘grandes feitos’ como o congelamento preventivo dos bens de Isabel dos Santos, no final de 2019, em Angola e, no início de 2020, em Portugal; a condenação do filho do ex-chefe de Estado, José Filomeno dos Santos a cinco anos de prisão por fraude, branqueamento de capitais e tráfico de influências, mas a espera do recurso interposto; a recuperação de bens de ex-assessores muito próximos de José Eduardo dos Santos, os generais Dino (Leopoldino Fragoso do Nascimento) e Kopelipa (Manuel Hélder Vieira Dias); o julgamento e condenação do antigo ministro dos Transportes, Augusto Tomás, bem como o julgamento e condenação do antigo ministro da Comunicação Social e director do extinto Gabinete de Revitalização e Execução da Comunicação Institucional e Marketing da Administração (GRECIMA), Manuel Rabelais,   acusado de crimes de peculato na forma continuada, violação das normas de execução orçamental e branqueamento de capitais, entre outros, mas que também espera pelo recurso.

Outro caso que faz eco é o de Manuel Vicente, o ex-vice-Presidente na época Dos Santos, que permaneceu próximo de João Lourenço e goza de imunidade até Agosto deste ano.

Entretanto, a partir de 2021, com a contagem regressiva para as eleições gerais, ante o clima de insatisfacção dos cidadãos, a maior preocupação do Presidente João Lourenço passou a ser a de recuperar a confiança dos angolanos

Para alguns observadores, o desafio é evitar o descalabro eleitoral, tendo em conta os fortes sinais que foram surgindo na sociedade angolana.

Politicamente, uma questão que muito afligiu e desanimou os angolanos em relação a João Lourenço, foi a não realização das primeiras eleições autárquicas da história do país, que foram repetidamente adiadas por Dos Santos e prometidas por João Lourenço, mas que acabou por preteri-las também.

No plano social, a Presidência teria interesse em repensar a sua resposta policial e judicial ao descontentamento, garantindo ao mesmo tempo uma real liberdade de expressão na mídia.

No entanto, é no lado económico que a batalha tem sido mais dura, principalmente na gestão da dívida.

Enquanto Angola beneficiou de uma moratória concedida pelos países ocidentais do G20, o país continua num impasse em relação à dívida da China, seu principal credor.

Segundo a ministra das Finanças, Vera Daves, está prevista uma redução de 6 biliões de dólares nas datas de vencimento até 2023. Mas a dívida com Pequim é estimada em 20 biliões.

Este peso da dívida, a par da crise económica e da saúde, tem complicado o andamento das inúmeras reformas lançadas por João Lourenço.

A tão esperada diversificação da economia não tem dado sinais positivos.

A esperança do Governo continua no aumento do preço do crude e no esforço que se está a fazer para manter o nível de produção de petróleo e receitas associadas.

Acima de tudo, o conjunto de privatizações anunciadas, que deveriam permitir a entrada de novos investidores estrangeiros e o surgimento de sólidas operadoras nacionais, corre o risco de se transformar em liquidação.

As tensões dentro do MPLA, pela relutância de alguns em embarcar num modo de governação mais transparente, assim como o diálogo construtivo com a oposição que oscila entre o possível e impossível, deixaram João Lourenço num impasse que começa a ser ultrapassado agora com a campanha elitoral, para fazer novas alianças e garantir a continuidade.

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