José Eduardo dos Santos: Um marco indelével da História de Angola e da memória colectiva dos pov - Na Mira do Crime
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José Eduardo dos Santos: Um marco indelével da História de Angola e da memória colectiva dos povos

José Eduardo dos Santos: Um marco indelével da História de Angola e da memória colectiva dos povos


O Presidente João Lourenço destacou, após a realização do VIII Congresso do MPLA, que José Eduardo dos Santos foi "magnânimo" e que foi crucial na construção da paz no país. Igualmente, sob sua liderança Angola entrou para a história mundial como a nação que libertou a África Austral do Apartheid

Por: Alves Pereira

Notícias derivadas de vários quadrantes, nos últimos dias, fazem referência ao agravamento do estado de saúde do antigo Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, que, como se realça, entrou já para um estado vegetativo, ou seja, deixou de ter qualquer reacção, permanece imóvel, não fala e não se apercebe do que se passa ao seu redor.

Sem qualquer pejo, muitas dessas informações aludem para o fim breve do homem que governou Angola durante 38 anos.

A enfermidade que o apoquenta há alguns anos, do fórum cancerígeno, tem-se agravado nos últimos três anos por força dos acontecimentos causados pelo paradigma da mudança no país que o terão afectado directamente, bem como à sua família, a que se alia ainda o factor idade.

José Eduardo dos Santos, ex-Presidente da República de Angola e presidente emérito do MPLA, completa 80 anos de idade a 28 de Agosto, tendo nascido em 1942, em Luanda, no emblemático bairro do Sambizanga.

O seu delicadíssimo estado de saúde fez com que toda a sua família se juntasse a ele em Barcelona, Reino de Espanha, que tem sido o local da sua residência alternativa em função dos tratamentos tecnicamente mais avançados que tem recebido naquele país da Europa.

Apenas o seu filho Filomeno José dos Santos “Zenu” não está presente, em função do processo judicial que enfrenta.

Entre muita especulação sobre a sua saúde e o futuro do “clã” Dos Santos, que já foi considerado como uma das famílias mais poderosas de África e não só, em meios políticos e sociais muito se discorre sobre a importância da sua gerência enquanto Chefe de Estado, no país e no continente africano, assim como dos feitos e defeitos da sua governação.    

Hoje por hoje, há os que “pintam” José Eduardo dos Santos como um “monstro” que destroçou o país. Porém, é preciso recordar a pesada herança que lhe foi entregue, pelo próprio MPLA, depois da morte de Agostinho Neto.

Dos Santos aguentou o regime que herdou em meio à guerra fria; enfrentou e contornou com serenidade as imposições soviético–cubanas; aguentou décadas de guerra civil e conseguiu, ante enormes pressões, manter a integridade territorial, a dignidade do povo angolano e chegar à paz. São factos inegáveis e históricos.

Os caminhos para a paz

O Eng. José Eduardo dos Santos foi o primeiro a aceitar que Angola chegasse às eleições em 1992, num acto democrático e multipartidário, facto que deveria ter acontecido em 1975, entre a FNLA, o MPLA e a UNITA, por altura da independência nacional.

Infelizmente, os movimentos de libertação, “amarrados” aos seus aliados internacionais, acabaram por preferir “dançar” a “música” da guerra, da morte e destruição, que se arrastou por décadas consecutivas, com a devastação do tecido humano e de infra-estruturas.

Todavia, o diálogo foi considerado como o único meio que poria fim ao troar das armas. Foi neste gesto de busca de soluções pacíficas que Gbadolite tornou-se no lugar cimeiro onde se esboçaria a paz para Angola.

A cimeira de Gbadolite para a paz em Angola começou a 22 de Junho de 1989, com a presença de representantes de 18 nações, entre os quais, 16 eram chefes de Estado. Foi a primeira vez que o então Presidente José Eduardo dos Santos se encontrava com Jonas Savimbi, após a independência.

Sob mediação do então Presidente da República do Zaíre (actualmente RD Congo), o já felecido Mobutu Sesse Seko, depois de longas 7 horas de sucessivos diálogos, foram definidas as linhas mestras para pôr em marcha um projecto de paz nacional em Angola.

As declarações deixavam claro que era imperativo o fim da insurreição armada em Angola, o respeito à Lei Constitucional angolana, a segurança dos membros da UNITA, a sua integração nas estruturas do Governo de Angola, as condições dessa integração e o exílio voluntário de Jonas Savimbi, a quem por sua vez seria mais tarde entregue um cargo honorífico. ´

A cimeira concluiu com um aperto de mão entre o Presidente José Eduardo dos Santos e o Chefe da UNITA, Dr Jonas Savimbi.

Assim se abriu o caminho que, passando ainda por Portugal, culminaria na transformação de Angola em Estado Democrático e de Direito e na realização das primeiras eleições multipartidárias e democráticas em 1992.

Foi também sob direcção de José Eduardo dos Santos que Angola entrou para a história mundial como a nação que libertou a África Austral dos esbirros do Apartheid.

História é história e é feita com acontecimentos do passado. Sem passado não há presente e, consequentemente, não há história.

Os cerca de 38 anos em que José Eduardo dos Santos liderou o MPLA e governou o país, mal ou bem, constam na memória colectiva do povo angolano, assim como na do mundo, e têm que constar na história.

Tanto tempo não pode ser apagado apenas por capricho de alguém, seja quem for e quais as suas razões, sob pena de deturpar factos, acontecimentos e alterar a verdade sobre um povo e uma nação.

Se assim fôr, como se vai justificar, historicamente, a supressão desse longo período de tempo às futuras gerações? O que saberão elas verdadeiramente sobre os acontecimentos do passado no seu país, em África e no mundo?

Quanto aos erros da sua administração enquanto Chefe de Estado, os mesmos devem ser analisados num outro prisma, porque muitos que o acusam agora, são os mesmos que o aconselhavam, são os mesmos que o induziam em erro, são os mesmos que o enganavam, são os mesmos que o bajulavam e, por trás, riam-se, roubavam, desmandavam e desgraçaram o país.

Nesse tempo, não houve quem discordasse com as políticas e decisões de José Eduardo dos Santos. Ninguém bateu na mesa e demitiu-se.

João Lourenço enaltece Dos Santos

Este cenário tem-se repetido com o próprio Presidente João Lourenço, que durante a sua governação tem sido, em certa medida, mal aconselhado e até enganado por elementos a quem terá dado uma nova oportunidade, entre outros, induzem-no em erro e, de forma subtil, o vão encaminhando por vias desabonatórias, inclusive em relação a José Eduardo dos Santos.

A este propósito, o Presidente João Lourenço destacou, após a realização do VIII Congresso do MPLA, que José Eduardo dos Santos foi "magnânimo" e que foi crucial na construção da paz no país e exortou as novas gerações a não repetirem os erros do passado.

Discursando num acto de massas no estádio 11 de Novembro, em Luanda, após a sua reeleição como preisdente do MPLA, no VIII Congresso, recordou o papel desta força política, em Angola e no continente africano, sublinhando que foi o MPLA que “verdadeiramente” lutou pela independência de Angola e resistiu às forças invasoras do apartheid, salvando África do seu “pior inimigo” — o regime do apartheid — e que foi este o partido que está por detrás da construção da paz.

“Essa paz foi construída pelos angolanos em geral, mas tinha de haver um líder e esse líder apoiava-se na força de um partido político”, afirmou referindo-se a José Eduardo dos Santos.

João Lourenço salientou que o ex-Presidente, enquanto chefe de Estado e comandante-em-chefe das Forças Armadas, “foi magnânimo e com esse comportamento garantiu que a paz alcançada a 4 de Abril de 2002 perdurasse até aos dias de hoje”, uma paz que “tem um começo, mas não pode ter um fim”.

Atribuiu também ao MPLA e aos sucessivos governos de José Eduardo dos Santos o mérito da reconstrução do país, devastado por um longo conflito interno que durou três décadas, dizendo que evocar a história não é para andar para trás e repetir os erros do passado.

“Devemos de vez em quando, não com outros objectivos, mas apenas com intenção de dizer as novas gerações que não façam o que nós fizemos. O que fizemos de bem, repitam e multipliquem, o que fizemos de errado, não façam, porque as consequências podem ser muito graves”, frisou, acrescentando que “a luta continua, mas de outra forma”, indo agora no sentido de aprofundamento da democracia, o que deve ser feito “com sabedoria” e “com segurança”.

Assim sendo, o Doutor Agostinho Neto é o Fundador da Nação Angolana e Pai da Nação e o Engenheiro José Eduardo dos Santos é o Arquitecto da Paz e Pai da mudança, do crescimento, da renovação, da mudança para melhor, da reconstrução, do desenvolvimento, da democracia e da reconciliação nacional!

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